UNIVERSIDADE DE MACAU UNIVERSITY OF MACAU Este livro foi oferecido por This book is a gift from Escola Secundaria Dom Bosco 21 Junho 1999
D. JOAO DE DEUS RAMALHO, S. J. BISPO DE MACAU A PROPOSITO DA VISITA DE SUA EXCELENCIA O SENHOR MINISTRO DO ULTRAMAR A PROVINCIA DE MACAU MACAU PADRAO ESPIRITUAL LUSIADA Edicao do Boletim Eclesiastico de Macau Macau, 1952
EXPLICACAO
OR ocasiao da Visita Oficial de Sua Excia. 0 Sr. Ministro do Ultramar, de tao grata recordacao, foi-nos pedido que escrevessemos alguns artigos sobre assuntos refer en tes a Macau e as Missoes desta Diocese. Estes artigos foram publicados no Boletim Eclesiastico de Macau e nalguns jornais. Houve, porem, pessoas que nos pediram a separata dos ditos artigos bem como duma Conferencia que, por falta de tempo ndo se chegou a realizar. Posto que nada haja de novo no que, por esta ocasiao, se escreveu e se disse, nao hd tambtm inconveniente de maior em que se repitam as mesmas coisas ja sabidas de muitos1 e hd att vantagem em as reeditar: porque, repeti-las, e assegurar direitos histdricos adquiridos sdbre os quais certas Potencias se obstinam em querer passar a esponja da demomania que se exerce em fermentar nacionalismos alheios ou internacionalismos, segundo OS paladares dos povos, e as conveniincias dos seus proprios fitos de ditatorial cobica. Ai vao, pots, sem valor nenhum e ligeiramente retocados para Ihes dor, quanto possivel, algum nexo logico, OS referidos artigos sem pretencao de qualquer espicie e so por mera boa-vontade de condescender no que se pode. Bispo de Mscau
Saudacao de boas vindas ao Senhor Ministro, Comandante Mannuel Maria Sarmento Rodrigues antes do Solene «Te-Deum» na Cafedral
EXMO. SENHOR MINISTRO DO ULTRAMAR, EXCELENCIA: AO esta previsto no Programa de Recepcao a V. Exa., que o Prelado da Diocese fale neste acto da nossa reuniao solene nesta Casa de Deus, para rendermos ao Altissimo as nossas homenagens e agradecimentos pelo feliz acontecimento da chegada de V. Excia. a esta extrema Provincia portuguesa, Cidade do Santo Nome de Deus de Macau. Mas, com a devida venia, cumpro o dever de, neste momento, apresentar a Vossa Excelencia as nossas saudacoes simplesmente cristas! E, por conseguinte, cheias daquele respeito sincero, cordial, submisso e elevado pelo princlpio sobrenatural, da palavra de Deus, que nos manda reverenciar as pessoas que, por serem revestidas de autoridade legltima, participam da mesma autoridade de Deus e, em Seu Nome, segundo as disposicoes da Sua Providencia, nos governam. Saudo, pois, V. Exa., Senhor Ministro, nesta Catedral que e a casa central de todos OS fieis desta Provincia; saudo V. Excia. em meu proprio nome, com gratidao, pelas muitas gentilezas que ja, devo ao fino coracao de V. Exa.; saudo V. Exa. em nome do ilustre Cabido desta Se Catedral; em nome do Revdo. Clero Missiondrio, que a V. Exa.ficara, devendo um Diploma Legislativo da mais alta compreensao missioniria; saudo V. Exa. em nome das Inst i tutes Religiosas diocesanas, e tambem das nao diocesanas, quero dizer, daquelas que, arremessadas para fora dos seus campos de glorioso apostolado, aqui se acolheram a sombra da nossa bandeira e da compreensao crista do Governo de Portugal, de que V. Exa. e ilustre membro. E aqui, em nome de todos, expresso a V. Exa. OS meus mais vivos sentimentos de gratidao. Esta cidade portuguesa, do Santo Nome de Deus de Macau, foi desde o seu berco padrao de fe, cidade de refugio, para OS que a ensinam, e para OS que a abracam. Uma cidade missionaria donde irradiou a fe crista para todo a Extremo-Oriente, uma cidade acolhedora «egundo o corajao de Cristo! E esta a sua maior gloria.
Peco tambem licenca para, na Exma. Pessoa de V. Exa. saudar ainda a Veneranda Senhora, Esposa de V. Exa, que o acompanha nesta viagem patriotica is mais longinquas terras portuguesas, e que, nesta Diocese, merece uma refe. rftncia de destaque, porque no seu nobre ministerio de ensinar a doutrina crista is criangas da sua terra, encaminhou para esta vetusta Diocese vinos jovens que hoje sa.0 j i aqui pelo seu trabalho, prestimosos Missionaries. Esti, pois, V. Examais vinculado a esta Diocese do que a nenhuma outra do Ultramar: vinculos de parentesco ao venerando Decano do ilustrissimo Cabido desta Se Catedral; vinculos da terra natal que para ela tem dado grande nilmero de Missionirios, alguns dos mais ilustres pelo trabalho e pela virtude, destacando entre eles o notivel Prelado que foi D. Antonio de Medeiros, um dos meus venerandos predecessores nesta Catedra da Se Macaense e que morreu prematuramente em Timor, entao parte integrante, territorial, desta Diocese de Macau, e onde ele f6ra missionirio de ardentissimo zelo; enfim, vinculos que prendem V. Exa. a virios Missionirios actuais desta Diocese por terem recebido de Sua Exma. Senhora a doutrina crista e o ideal missionario! Senhor Ministro, Reunimo-nos aqui neste momenta com V. Exa. para dirigirmos ao Altissimo Dador de todos OS bens um hino de acgao de gragas. Este nosso agradecimento a Deus e reconhecimento dos seus beneficios relativos i preaenga de V. Exa. nesta extrema parcela de Portugal, a mais pequenina e, por isso, de mais dificultosa governagSo. A presenga de V. Exa. aqui, nas circunst&ncias presentes, e um abrago carinboso da Mae-Pitria aos filhos que vivem na trincheira da defesa da civilizagao crista: e um beneficio da Amorosa Providfincia que nos vem dar luz, conforto, alegria, e penso que a vinda de V. Exa. e tao transcendente beneficio da Divina Providftncia, que nao julgo ser fora de proposito aplicar a VExa. estes versos do nosso Epico: — "Deus por certo TOg traz, porque pretende Algurn serviso seu, por via obrado. Por isso so vos guia e yoa defende Dos imigos, do mar, do vento irado". (Canto VII, 31) Nao faltaram estes perigos a embargar-vos o caminho, simbolo talvez de outras dificuldades que tereis de veneer na vossa Missap. Mas v6s sois dextro timoneiro.
Senhor Ministro, Trabalhando com distingao de fungoes, mas com unidade de forgas, o Estado e a Igreja trouxeram ate aqui a expansao do Imperio; levaram, porSm, muito mais longe a expansao da Fe, dando pela primeira vez o conhecimento do verdadeiro Deus a tantos povos. Missionaries nossos ainda continuam nesses 27.000 quilometros quadrados aonde se extende hoje, depois das ultimas restrigoes, o nosso Padroado nesta Diocese. Nas terras da nossa Missao, como em outros paises do mundo, «depois de tantos seculos de civilizagao, porque de religiao, como diz o Santo Padre Pio XII, ja, nao se torna necessdrio hoje descobrir a Deus pela primeira vez. o que urge e senti-Lo como Pai; reverencid-Lo como Legislador; temft-Lo como Juiz; urge para salvagao do mundo, que adorem seu Filho, amoroso Redentor dos homens, e se curvem perante OS suaves impulsos do Esplrito, fecundo Santificador das almas. «Esta persuasao, que apoia as suas mais longinquas bases na cifencia, e coroada pela a qual, se radicar cada vez mais na consciencia dos povos, poderd realmente ocasionar um progresso fundamental no avango da civilizagao. B uma visao total do presente e do futuro, da materia e do esplrito, do tempo e da eternidade, que, iluminando as inteligencias, poupard, aos homens de hoje, larga noite de tempestade. (Pio XII, Discurso a Comissao Internacional de Cultura, 22-XI-1951). E com esta fe que, no meio deste hino de Acgao de gragas, nos hemos de prostrar, elevando ao Senhor, Criador do ceu e da terra e Autor de todo o Bern, a fervorosa suplica para que ilumine com a sua graga V. Exa. e OS seus cooperadores para o recto desempenho da elevada Missao da sua visita, e oiga OS nossos votos pelo feliz regresso de V. Exa. ao centro das suas actividades, para bem da Missao de V. Excelfincia e de suas prosperidades pessoais, e ainda para que Jesus Cristo, realmente presente de corpo, alma e divindade na Hostia Sacrossanta que vai jd ser exposta a nossa adoragao, com sua bengao nos de a todos a luz verdadeira, a Sua «Luz para a vida do tempo e para a vida da eternidade*. (Pio XII, loc. c.)
MACAU E OS PORTUGUESES OS PORTUGUESES E A CHINA (1) (1) Este artigo foi escrito para a Imprensa Chinesa; por isso se desce nele a oertas minu' dencias geogrtfficas e se da a frase a construcao que mais faeilite a tradufao para chines.
AO por injusta conquista, mas em premio de servicos pestados a China, e Macau uma terra portuguesa: quere isto dizer que, por vontade da China e por merecimento dos Portugueses, tamb6m em Macau 6 Portugal como e em todas as outras Provincias Ultramarinas. Eis porque o Senhor Ministro, o mais alto funcionario que cuida do bom governo das Provincias Portugueses do ultramar, vem ate Macau. Como OS antigos Imperadores da China, na preocupacao de bem governar o seu povo, mandavam OS seus altos funcionarios ou ministros chamados ChaYuen ou altos fiscais que deviam ver por seus olhos e ouvir com seus ouvidos o que se passava e se dizia, para informarem com justiga e verdade o Imperador que desejava buscar o bem do seu povo e govemi-lo com o maior acSrto, assim, o Sr. Ministro do Ultramar Portugufis, vem is Provincias ultramarinas mais distantes, dar a honra da sua visita a esta cidade portuguesa de populagao luso-chinesa, mostrando o Governo PortuguSs com esta visita o seu vivo interesse por toda a populagao desta cidade cujo bem e cuja felicidade deseja assegurar por sua parte, como todo o Governo de Portugal deseja e procura o bem de todos OS que vivem no Continente de Portugal velando com igual dedicacao pelo bem de Macau, como pelo bem de Portugal inteiro. E, pois, com caloroso alvorogo que esperamos e muito apreciamos a visita do Exmo. Sr. Ministro do Ultramar, membro muito distinto do Governo de Portugal ! o entusiasmo da recepgao que Macau quere tributar a Sua Excelfencia, o Sr. Ministro, encerra o sentimento de gratidao por esta oportunlssima visita que todos consideramos uma subida honra e um singular beneficio. Dissemos que Macau e terra portuguesa. Talvez interesse recordar alguns pontos hist6ricos relativos ao contacto dos Portugueses com a China, donde nasceram relagoes que deram a oportunidade de firmar uma amizade persistente de que esta terra de Macau e como que um pergaminho quadrissecular. Os Reis de Portugal tiveram sempre muito a peito levar a todos OS povos o conhecimento da lei crista, e este esplrito apostdlico da propagagao da fe cato-
lica OS levou ao estudo dos mares; estudo muito impulsionado pelo Infante D. Henrique. Este piano de estudos maritimos levou OS grandes navegadores Portugueses is descobertas dos paises do Oriente e da America. Que OS Reis de Portugal tinham o intuito da propagacao do Evangelho Salvador da Humanidade 6 reconhecido por historiadores muito c^lebres, nao Portugueses, como, por exemplo, Pastor, para nao nomear outros, o qual cita, a 6ste proposito, uma Bula do Papa Alexandre VI, Bula que comega pelas palavras "Catholicae Fidei Propagationem", e e datada de 1501. Dobrado o cdebre cabo da Boa Esperanga, ao fundo da Africa meridiodal, em 22 de Novembro de 1497, chegaram OS Portugueses a Calicut ao fundo da India do lado ocidental onde, a 20 de Maio de 1498, levantaram um Padrao recordatorio a Sao Gabriel, que era o Patrono titular da Nau Capit&nia de Vasco da Gama. Em 1511 estava Afonso de Albuquerque em Malaca e nesse ano levantou ali uma Igreja dedicada ao misterio da Anunciagao da Virgem Maria. Como nesta cidade de Malaca havia muitos mouros ou mugulmanos, estes j i conheciam OS Portugueses pelo nome generico de Fulankis como chamavam a todos OS fi6is cristaos que tinham pelejado pela f6 de Cristo contra o Islamismo, o qual, tendo perdido o seu poderio na Europa, dominava muitas regioes do Oriente. Donde vinha que OS mugulmanos chamavam aos Portugueses Fulankis Era porque eles defendiam contra Mafoma a f6 crista ensinada pelo Bispo de Roma que e o Papa; e o Papa chamavam-no eles Rei de Fulam ou Fulin que era o nome que davam a Roma. Daqui, aos Portugueses,fi&is cristaos de Fulam, chamaram-nos Fulankis e esta palavra encontra-se muitas vezes diferentemente transliterada segundo as regioes. Assim encontramos Paranghi, Ferenghi, Firingi, e Leonel de Sousa que em 1554 fez um convinio comercial com a China escreve Franges. Diferentemente escrito,feste nome significa Portugueses em todas as paragens do Oriente: tal nome, por6m, era dado pelos mugulmanos aos Portugueses, nao como Portugueses, mas como cristaos, do mesmo modo que ja antes chamaram Fulankis aos soldados cristaos, convertidos pelos franciscanos no seculo XIV, que se encontravam entre as tropas de Gengis-Khan. Estes soldados, que eram 30.000, formavam a Guarda de Khan, e gloriavam-se de se chamar Servos do Papa e declaravam-se parati mori pro Franchis; sic enim vacant nos, non a Francia, sed a Franquia (documento em Sinica Franciscana). Os Chineses tem tamb6m a prova disto na sua Historia (Chang Using Leang II, pp. 222-231; VI, 567-570 Histdria dos YUEN cc. 40. 118).
Ali se conta como um embaixador chamado De Marignolli, em 19 de agosto de 1342, ofereceu a Khan, em nome do Papa, um belo cavalo ocidental; e que OS literatos chineses celebraram este facto em prosa e em verso chamando ao nobre animal Cavalo celeste T'ien Ma , do Reino de Fulam , isto e, de Roma. Em Malaca OS chineses que all tiveram OS primeiros contactos com OS Portugueses ouviram falar dos Fulankis no sentido de Portugueses e foi mesmo por isso e pelo medo que tiveram deles, e que gorou a embaixada que o Rei D. Manuel enviou ao Rei da China. Com efeito, o Rei de Portugal mandou k China Tome Pires, embaixador, acompanhado de Fernando Peres, Capitao m6r, para travar amizade com o Rei da China. Mas o Sultao Mohamed, que dominava Malaca e pagava tributo ao Rei da China, e que se tinha refugiado, na tomada de Malaca, junto do Raja, de Bintang, fez com que seu filho Mohamed fdsse enviado como embaixador do Raja ao Rei da China a depor contra OS embaixadores Portugueses. Resukou desta intriga que Pequim desse ordens a Cantao de suspender o comdrcio com OS Portugueses, ou Fulankis, de prender OS embaixadores Portugueses e de nao OS soltar enquanto nao prometessem restituir ao Sultao as terras ocupadas na India e Malaca. (Chang Wei Hua, Hist6ria dos MING c. 325 . ' Esta intriga fez gorar a embaixada de Tome Pires em 1518-1520 e trouxe graves dificuldades as relagoes amigaveis que Portugal sempre desejou ter com a China; dificuldades que so se aplanaram com o tratado de Leonel de Sousa em 1554. Como para OS chineses daquele tempo o Reino dos Fulankis ou Portugueses era ao pe de Malaca e ao sul de Java (Hist6ria dos Ming c. 325 Wife) foi necessario que Leonel de Sousa consentisse em mudar o nome de Fulankis ou Franges, e aceitar que nao eram aqueles Portugueses de entao da geragao dos primeiros, isto e daqueles contra OS quais tinha intrigado o Sultao de Malaca e o Rajd de Bintang. (Carta de Leonel de Sousa ao Principe D. Luis datada de Janeiro de 1556). Dois anos antes de Leonel de Sousa, em 1552, o grande Missionario Sao Francisco Xavier, Nuncio do Papa em todo o Oriente, tinha concebido, pelas noticias recebidas do3 japaneses e dos comerciantes Portugueses, um altissimo conceito do Pais do Meio. Eis o que Sao Francisco Xavier escreveu entao sobre a China : « A terra do China estaa perto de Japao, e, da China Ihe forao levadas as seitas que tem. He a China terra muyto grande, paciffiqua, sem aver guerras nenhumas; terra de muita justiga Tem eles (os japoneses) pera sy que OS Chinas
Sao muyto sabedores, asy n'as cousas do outro mondo, como n'a gobemagao da reepubliqua *... e acrescenta que Sao OS Chineses gente « muyto aguda, de gramdes engenhos, muyto mays que OS Japoes, e homens de muyto estudo Incarnando em si OS mesmos desejos, dos Reis de Portugal, concebeu Xavier a ideia de arranjar outra embaixada para entrar na China e levar ao Imperador a noticia da crista: E assim escreveu em 1552: «Creyo que esto anno de 52 irey laa, onde estaa El-rey da China, porque he terra domde se pode muyto acrecemtar a ley de Nosso Senhor Jhu Xto; e se ahy a regebesem, seria gramde ajuda pera em Japao descomffiarem das seitas em que crem »(2). A embaixada que Sao Francisco Xavier planeou foi desarranjada por um mau fidalgo em Malaca, e o Santo, cheio de amor pela China, morreu em 2 para 3 de Dezembro na ilha de Sheung-Chau, ou Sancian onde ja OS Portugueses mantinham contacto com OS chineses, faz precisamente este ano 4 seculos exactos. Uma carta dum Missionario jesuita que se encontrava com OS Portugueses que comerciavam com OS chineses, ja em virtude do tratado feito por um enviado do Rei de Portugal chamado Leonel de Sousa, a quem me referi mais acima, conta como em todo o sul, a China foi assolada por uma quadrilha de piratas com grandes perdas para o Imperador e com continuo desassossego das populates costeiras. Os Mandarins de Cantao pela noticia que tinham sobre o valor dos Fulankis ou Portugueses, pediram-lhes que eles viessem em auxllio das suas forgas para debelar aqueles piratas cujo chefe se chamava Chan-Si-Lau, ou ainda, segundo outra transliteragao, Samchislau. Os Portugueses, que entao se juntavam para o comSrcio com OS chineses na ilha de Sheung-Chau, vulgarmente transliterada com o nome de Sanciao ou Sanchoao, onde tinha morrido Sao Francisco Xavier, fazendo ali uma base com forgas vindas de Malaca, Java, Filipinas e Molucas, aceitaram dar batalha aos piratas a favor do Imperador e da China: foram subindo a Lampakau e Amagau ou Ma Kok Miu que hoje se chama Macau. Aqui lhes veio falar um Mandarim a combinar a batalha que se deu no rio de Cantao, com felicissimo exito sob a direcgao de Diogo Pereira e Luiz de Melo em 1557. As autoridades chinesas de Cantao ficaram com tanta estima e aprego dos Portugueses ou Fulankis, que, como refere Ricci nos seus comentarios da China, as proprias armas de artilharia, como especialidade dos Portugueses, ficaram sendo designadas na China pelo nome de armas Fulankis, como se pode ver na Historia dos MI N G c. 3 2 5 , (1) Carta de Sao Francisco Xavier eserita de Coehim, a 29 de Janeiro de 1552. (2) Carta citada. Monum. Hist. Soc. Jesu.
Foi por esta vitoria que OS Mandarins, reconhecidos aos Fulankis ou Portugueses, por se verem livres dos piratas, pediram ao Imperador que OS recompensasse, dando-lhes a terra de Amagau ou Omun , que hoje constitue a linda cidade de Macau. Assim o afxrmam OS documentos do tempo e a tradigao constante que aqui se conserva. Diz assim um documento do Leal Senado: * Em reconhecimda segura Navegacao em q. ficou a terra e mares da Chinna pelo destroqo deste levantado, e a requerimento dos Mandarinz e mercadores de Cantao nos concedeo o Emperador Cachem (ou Ka-Cheng ) no anno de 1557 este Port to de Macao p " nelle nos estabelecermos firmes e perpetuamente seguros; e isto sem PensSo, foro, ou tributo, alem de muitos privilegios graqas e izenqSes q. o mesmo nos conferio, como consta da Chapa de Ouro q. o d° Emperador nos remeteo da qual se acha a cdpia no tribunal de Cantd.0 excidpida em pedra q. OS Tartaros depois q. conquistarao a Chinna mandarao conservar, anno de 1649 (Bol. Ecles. 1938-1939, pag. 128). Macau 6, pois, como diziamos ao principio, terra portuguesa por premio ou recompensa feita pela China aos Portugueses, por servigos prestados a mesma China. De resto OS Portugueses, logo que esta terra Ihes foi dada, entenderam-se tao bem com OS chineses, desmentindo a intriga do Sultao mugulmano, que logo criaram as maiores relagoss de amizade, quais Sao as do sangue, misturando-se numa so populacao sem distingao de ragas, pois ja um documento do tempo diz : Los Portugueses de Macau, se casam con las tnujeres chinas de mejor voluntad que con las mujeres Portugueses por las muchas virtudes que las adornan» (Pastels, III, p. LIX). De resto a China comegou a considerar esta amizade com um caracter de lialdade particular, e ainda mais segura do que a da sua propria gente. Assim sabemos que por varias vezes o Imperador pediu aos Portugueses de Macau cooperagao e auxllio na defeza do Imperio jil contra OS piratas do sul, contra OS invasores do norte. E tanto o Imperador como OS Ministros do Imperio encontraram sempre OS Portugueses ao seu lado. Podiamos relatar a expedigao do Capitao Teixeira Correia, acompanhado do jesuita Missionario p. Joao Rodrigues, que, em 1630, foi enviada pelo Senado de Macau com 10 pegas de artilharia e um contingente de tropas ao Socorro do Imperador em Liau Tong Lembremos ainda o oslebre caso do Pirata Cam-Pau-Sai nos fins do seculo XVIII o qual tendo vencido as Forgas'imperiais, pds em perigo toda a China. Foi pedido socorro e coopsragao aos Portugueses de Macau, OS quais responderam prontamente ao apfilo do Imperador, como do seu proprio Rei, e venceram aquele
temlvel inimigo que dispunha de 600 navios e 80.000 homens. E tanta era a confianga do Imperador na lialdade dos Portugueses de Macau que ate a frota imperial p6s ao dispor deles, passando ela a ser comandada pelo Capitao portugues Alcoforado o qual, com mais tres capitaes Portugueses, Lulz Carlos de Miranda, Anacleto Josd da Silva e Jose Alves, comandava OS navios Portugueses armados num total de 102 canhoes e 610 homens. Por este feito, que foi uma vitoria retumbante, o priprio Vice-Rti do Kwangtung, em 1809 por um acdrdo de 26 de Novembro, quiz recompensar OS Portugueses estabelecendo que OS Mandarins nunca mais se intrometessem, como faziam por abuso, nos neg6cios da governagao dos Portugueses em Macau. Por impertinfencias de pessoas particulars tem acontecido algumas vezes que, de quando em quando, se tenham produzido incidentes de vizinhos; Sao coisas inevitiveis que Portugal tem levado sempre com polltica de verdadeira amizade. A China oficial reconheceu, como no documento acima referido, que nenhum direito teem OS chineses e outros estranhos de se intrometerem na vida do Governo de Macau. Macau sendo portuguesa e tendo-se desenvolvido em linda cidade que hoje 6, resultou tambem de grande vantagem para OS chineses. Daqui saiu para toda a China a luz da civilizagao latina com a evangelizagao crista, e seguiramse outros beneficios para OS chineses, bem conhecidos da Hist6ria. Como prova do reconhecimento dftstes beneficios, muitos Missionaries foram feitos Ministros do Impdrio, e, ainda em nossos dias, no passeio da colina da Guia, OS chineses quizeram exteriorizar o seu agradecimento ao Governo portugufis em dois lindos alpendres que, em 28 Maio de 1948, foram inaugurados como documento da amizade c gratidao dos chineses para com Portugal. o Sr. Ministro do Ultramar sentir-se-i nesta terra linda de Macau como em Portugal, personificando aquele elo de ouro que irmana chineses com Portugueses desde hi, quatrocentos anos! A documentagao do que aqui se afirma pode encontrar-se nas proprias fontes chinesas mm k Cfr. D'ELIA, Fonti Riciane. PFISTER, CORDIER, e outros historiadores.
MACAU E AS MISSOES DO PADROADO
Ao sei se para relacionar um nimero especial do « Diario Popular » com a historica visita do Sr. Ministro do Ultramar k Provlncia de Macau, pedem-me algumas palavras sobre as Missoes do Padroado desta Diocese. Daremos, pois, uma breve noticia, a largos tragos, da origem das Missoes Portuguesas na China, o aspecto de Macau como padrao espiritual de todo este Extremo-Oriente e daremos uma resumida informagao do actual estado das Missoes do Padroado na Diocese de Macau. I — Alvores das Missoes Portuguesas na China Completam-se precisamente este ano de 1952, em 3 de Dezembro, 400 anos que se finou em terra chinesa perto de Macau, abragando num sonho de ap6stolo toda a grande China, Sao Francisco Xavier. o grande missionario percebera no trato com OS japoneses a enorme importancia que tinha, para a conversao do Japao, primeiro a conversao da China cuja cultura notavel e outros predicados a tornavam respeitada. «Se a doutrina que nos pregais a tao elevada e vardadeira, como dizeis, como e que a China ainda a nao conhece?»—perguntavam eles a Xavier! Daqui o empenho sobrehumano que o grande Ap6stolo das fndias e do Japao manifestou pela conversao da China. A conversao deste povo e do seu Rei seria a chave da conversao de todo o Extremo-Oriente ao Reino de Cristo! Nesse mesmo ano da sua morte, em que ele empreendeu a sua penetragao na China, escrevia: «Creyo que esto anno de 52 irey laa, onde estaa El-rey da China, porque he terra domde se pode muyto acrecemtar a ley de Noso Senhor Jhu Xto; e se ahy a regebesem, seria gramde ajuda pera em Japao descomffiarem das seitas em que crem». Xavier corre pois do Japao a India e procura saber dos Portugueses que ja frequentavam as costas chinesas, todas as informagoes que necessitava para organizar a sua penetragao na China e nessas noticias langava ftncora a sua esperanga de Apostolo: «Os Portugueses que por la andam — escrevia — dizem-
nos que e o pals da justiga, superior a tudo o que se ve na cristandade». E ainda: «Os Chinas Sao muyto sabedores, asy n'as cousas do outro mondo, como n'a gobernagao da reepublica... gemte muyto aguda, de gramdes engenhos, muyto mays que OS Japoes, e homens de muyto estudo. Fazia-lhe grande impressao a disciplina com que o monarca chines se fazia obedecer, e tomava vulto a sua santa ambigao de trazer ao reino de Cristo OS imensos dominios do monarca chinfes, dizendo-lhe o seu optimismo apost6lico que se tao grande monarca se convertesse todos OS seus vassalos seguiriam o seu exemplo. Foi com estes pensamentos que ele partiu de Bungo e chegou pelos fins de 1551 a ilha onde se reuniam OS mercadores Portugueses nas costas da China. Era a ilha de Sheung-Chau, cujo nome pouco a pouco foi transliterado pelos Portugueses em San Choao e logo em Sao Joao! Nessa ilha, a umas 30 milhas para sudoeste de Macau, encontrou Xavier a nau «Santa Cruz», cujo proprietirio era homem digno das confidfincias do grande Apostolo. Tomou lugar no navio para Malaca, e durante a viagem foi-lhe dando conta do seu sonho dourado de ir a China a prtgar a fe de Cristo ao monarca chines. Concordaram OS dois em que o melhor modo seria organizar uma embaixada em nome do Rei de Portugal. Foi por isso a Goa, ficando entendido que o proprietario da « Santa Cruz», o excelente cristao Diogo Pereira, poria a sua disposigao o seu navio para tao alto cometimento. Em Goa o Santo Ap6stolo encontrou todas as facilidades para o seu entusiasmo tanto por parte da Autoridade Eclesiastica, D. Joao de Albuquerque, Bispo de Goa, como por parte do Vice-Rei das indias, D. Afonso de Noronha, o qual deu a Xavier cartas-patentes para Diogo Pereira se apresentar como embaixador, ao Rei da China. Neste alvorogo volta Xavier a Malaca para dali partir para a China, levando ordens do Vice-Rei das fndias para em Malaca se facilitar a palpitante viagem ao Celeste Imp6rio, cujos felizes resultados eram tao ambicionados do Apostolo como dos Portugueses. Quantas vezes, porem, acontece que OS executores de baixo estragam por completo as ordenagoes dos homens do mando superior, nao sendo possivel triunfar dos obstaculos por aqueles assim criados, nem mesmo a pacifencia de um santo taumaturgo como Xavier? Quem entao presidia aos destinos de Malaca, como capitao-mor, era o 4." filho de Vasco da Gama, D. Alvaro de Ataide, homem ambicioso e desonesto. Roeu-o a inveja de nao ser ele o eleito para embaixador e de ver-se preferido a
um comereiante, Diogo Pereira. Para mais D. Alvaro mantinha inimizade com Diogo Pereira por este nao perdoar ao fidalgo dez mil ducados que Ihe tinha emprestado. Por vinganga D. Alvaro deteve em Malaca Diogo Pereira, e so deixou que a sua nau seguisse viagem, substituindo-lhe a tripulacao por outra da sua confianga; e so permitiu tambem que Xavier seguisse viagem sem a embaixada. Xavier, que tinha tido delicadezas para com D. Alvaro de Ataide, a ponto de at6 ir dizer-lhe missa em casa, viu profeticamente o castigo de Deus sobre o fidalgo por tao baixa pertinicia em impedir o piano que por autoridade superior quis realizar. Ao despedir-se de Malaca assim exprimiu a sua dor por D. Alvaro : «Ay del! por que ha de ser muy presto castigado de Dios en la honra, en el cuerpo y en la hacienda; y plegue a sua divina bondad que no le castigue en el alma». Como se deve ter lembrado destas palavras do Santo quando, poucos meses depois, D. Alvaro de Ataide cargado de infortunios e desditas foi de Malaca para Portugal condenado a prisao perpetua pelos maleficios do seu Governo, vindo por6m a morrer arrependido segundo alguns bi6grafos do Santo Apostolo do Oriente! Com o coragao cheio de tristeza partiu Xavier na nau «Santa Cruz», sem a companhia do seu amigo: qual fosse o seu estado de alma revelou-o nestas suas palavras escritas de Singapura, indo nesta viagem para a China: «Eu vou is ilhas de Cantao, desamarrado de todo o favor humano, com esperanga que algum mouro gentio me levari a terra firme da China; porque a embarcagao que tinha para ir a terra firme impediu-a Dom Alvaro forgosamente, nao querendo guardar as provisoes do Senor Viso-rrey, em que mandava a Diogo Pereira que fosse por embaixador a El-Rey da China e a mym em sua companhia*. Descorogoado por esta grande contrariedade, Xavier chegou a Sheung- -Chau ou San Choao na nau «Santa Cruz* em Agosto de 1552, encontrando ali vinos navios Portugueses, o Santo, retomando o apostolado junto dos Portugueses que nunca negligenciava, procurou pdr-se em comunicagao com OS chineses da ilha, agenciando sempre a realizagao do seu sonho de entrar na China. Conseguiu a promessa de um mercador chines de o levar a uma aldeia, de onde era natural, no Kwangtung, esconde-lo em sua casa, e ir aeixi-lo is portas de Cantao. E ainda o grande Apostolo que nos di conta destas suas diligencias e dos seus pianos: «Irei imediatamente a ter com o governador; dir-lhe-ei que viemos
para ir ver o Rei da China; mostrarei as cartas do Senhor Bispo de Goa escritas ao Rei e nas quais ele delara que Sua Alteza me envia a prfegar a lei de Deus. Como dizem OS indigenas, corremos dois perigos: o primeiro e que muito bem pode acontecer que o barqueiro, que nos leva, uma vez que tenha recebido OS duzentos Crusados, nos abandone em qualquer ilha deserta, ou nos deite ao mar, por medo do Governador. Ou entao, se ele nos leva a Cantao, e nos nos apresentamos ao Governador, este nos meta em torturas e nos lance numa prisao, porque o nosso piano e coisa inaudita!». A tripulagao da nau « Santa Cruz» — como dissemos — tinha sido expressamente constituida por elementos do mau fidalgo D. Alvaro e com indicates para abandonar a si mesmo o Santo Missonario, como vinganga da excomunhao que Xavier langara contra ele em Malaca. Levando a carta que acabamos de citar, escrita em 22 de Outubro, partira o linico irmao leigo que Xaxier tinha em sua companhia, o irmao Alvaro Ferreira, que o Santo julgou, por sua fraca saude, nao aguentar com as conseiras do piano que ele tinha em vista, e ficou apenas com dois servigais dedicados, Cristovam, do Malabar, e o chines Antonio que fora aluno no Coldgio de Goa. Pouco a pouco OS navios Portugueses, terminadas as suas transacgoes, foram abandonando o posto da ilha, ficando nele apenas a nau « Santa Cruz». o comerciante chines que fizera contrato com Xavier, para o levar ao interior da China, faltou 4 promessa e o grande Apostolo, vencido por todas estas contrariedades, sentindo morrer-lhe a esperanga do seu sonho dourado, calu doente, com o seu organismo dessorado pelo cansago das suas correrias apost6licas. Sem conforto, e abandonado da tripulagao que o Fidalgo de Malaca pusera a bordo da nau • Santa Cruz», consumido de febre numa palhota das que OS Portugueses ali tinham levantado, procurou recolher-se ainda no dia 22 de Novembro a bordo da sua Nau. o mar em Sao Choao e sempre mau, e Xavier, enfermo como estava, nao aguentou o baloigo da embarcagao e regressou a palhota de um portugues mais caritativo dos que ainda ali restavam, o qual lhe fez um Sangria. Perdeu os sentidos, sobreveiu-lhe o delirio, passaram-se assim uns dias ate 1 de Dezembro, em que recobrou o conhecimento; e logo na madrugado de 3 de Dezembro voou para o ceu a alma do notavel apostolo, espanhol de nascimento, missionario de Portugal. Fora apenas assistido naquele desamparo por dois Portugueses e OS dois fieis companheiros Cristovam e Antonio, chines, a quem se devem as informagoes dos seus ultimos dias e ainda o transporte do seu cad&ver para Malaca dois meses depois, a bordo do mesmo navio « Santa Cruz*.
o prodlgio da incorrupgao do seu cadftver seguido de outros muitos em Malaca e depois em Goa, foi o comego do seu triunfo. Goa guarda avaramente e com profunda veneracao OS restos mortais do reconhecido Apostolo do Oriente e, este ano, sob o impulso e direcgao do Sr. Patriarca das Indias, D. Jos6 da Costa Nunes, um dos mais notAveis Bispos do Padroado Portugues, realiza-se a exposigao do seu corpo, e um Congresso Missionirio com solenissimas festas, i s quais se associa o Santo Padre Pio XII por meio do seu Legado «a l a t ere, para celebrar o 4." centenario daquele momento solene em que Xavier, de olhos postos na China, entre um portugues, um indio e um chines, findou OS seus dias terrenos a sonhar com a dilatagao da fe no Imperio Chines. II — Primdrdios de Macau e seu aspecto Missionirio Dois anos mais tarde, OS Portugueses de Sao Choao foram subindo a Lampacau e a Macau. Seja o que for das discussoes e incertezas dos principios desta terra portuguesa, e certo que ja em 1554 OS Portugueses andavam por Macau. Cardim, na sua Relagao do Japao, pag. 6, di-nos conta de como ja 400 Portugueses, que entao aqui havia, recorreram k intercessao de Sao Francisco Xavier para obterem a ajuda de Deus, ao empreenderem a batalha contra OS piratas destas terras do Sul da China, a pedido das autoridades de Cantao. Ganhada a batalha sobre OS piratas, que foi em 1556, o Imperador, a pedido das mesmas autoridades de Cantao, concedeu para sempre esta terra aos Portugueses, em 1557, por uma chapa de ouro na qual constava que a terra era concedida «perpetuamente sem pensao, foro ou tributo, alem de muitos privilegios, gragas e isengoes que o mesmo nos conferiu». Desta chapa, que o Imperador remeteu aos Portugueses, «se acha a Copia no tribunal de Cantao exculpida em pedra q. OS Tirtaros depois q. conquistarao a China mandarao conservar no anno de 1649 ». Como OS preparativos do combate aos piratas, a pedido da China, comegaram logo no ano seguinte ao da morte de Sao Francisco Xavier, foi nesta mesma ilha de San Choao, onde ele morreu, que se organizou a base da frota portuguesa que se foi dirigindo para o local das operagoes, Amagau, que veio a dar Macau. E por isso, pensamos nos, que ja a partir de 1553 e 1554 se comega a falar de Macau mesmo na tndia, e esta base de operagoes deu lugar a uma instalagao semelhante a de San Choao, e OS Missionirios, de caminho para o Japao j& ali aportavam em lugar de ir a San Choao, pois e certo que em 1555 o
p.e Melchior Nunes Barreto escreveu cartas deste porto de Macau para a India, para Portugal e para Roma, datadas de 23 de Novembro de 1555 «ex chinensi porto Machuon . . .», que e, evidentemente, Macau. A partir desta data, as cartas dos Missionaries que passaram ou se estabeleceram em Macau Sao ja frequentes; e datadas de todos OS anos a seguir: Em 1556 temos Estevam de Gois, jesuita, e Gaspar da Cruz, dominicano, em Cantao; em 1561 Baltasar Gago, jesuita; em 1562, Joao Baptista del Monte e Luis Frois, jesuitas; em 1563 chegam a Macau OS pp. Francisco Peres e Manuel Teixeira, com um Irmao leigo, Andre Pinto em companhia de Diogo Pereira, o amigo de Xavier que vem reiterar a tentativa da Embaixada. Diogo Pereira vai, pois, em nome do Rei de Portugal ao Imperados da China. Esta Embaixada, porem, malogrou-se ao cabo de dois anos de espera e o P. Peres perante a negativa de viver na China, como pedia, teve de retroceder de Cantao para Macau e aqui funda em 1565 a primeira residencia da Companhia de Jesus nesta terra ja portuguesa. Em 1568 chegam outros Missionarios Jesuitas espanhois que tambem se esforgam por penetrar em Cantao, com a ideia de seguir ate a Corte de Pequim. Mas em vao; a China estava impenetravel a todo o elemento estrangeiro. Nao obstante como OS mercadores Portugueses conseguem ir a Cantao, Vilrios Missionaries vao aproveitando a ocasiao de ir em sua companhia. Assim, depois da infrutuosa tentativa dos dois espanhois Jesuitas, Riera e Ribera, em 1568, entra em Cantao o Padre Boaventura em 1569 e D. Melchior Carneiro o primeiro Bispo que administrou eclesiasticamente Macau; em 1574, o Padre Antonio Vaz; em 1575 o Padre Cristovao da Costa; uma carta do missionario Francisco Chaves escrita de Malaca, a 20 de Novembro de 1579, faz referenda a Viirios Jesuitas que, ate Fevereiro daquele ano, ficaram em Cantao. A partir deste ano as levas de MissionArio3 das principals Ordens entao existentes, Dominicanos, Agostinhos e Franciscanos, Sao frequentes. A partir de 1565, treze anos depois da morte de Sao Francisco Xavier, OS Jesuitas tinham a sua residtocia fundada pelo Padre Francisco Peres, e OS outros grupos missionaries nao tardaram em se estabelecer. A pequenina terra Portuguesa foi tomando feigao e em 1581 a sua vida religiosa e ja intensa, e a vida catolica tao arraigada nos seus moradores que a nova povoagao se chamou logo desde o principio: Cidade do Santo Nome de Deus de Macau. Desde o seu nascimento foi este novo bocadinho de Portugal assistido principalmente pelos religiosos da Companhia de Jesus: a ideia fixa da conversao da China com a qual Sao Francisco Xavier se finou aqui mesmo ao pe, constituiu um
testamento deixado aos Missionaries da Companhia de Jesus, e estes viram logo que Macau tinha de ser a base de todos OS empreendimentos futures no Extrem-Oriente para o grande piano dos Soberanos Portugueses: dilatar a Fe e o Imperio. Um dos mais eminentes Jesuitas que tem o seu nome vinculado A fundagao da cidade de Macau, por obras de caricter social e benemerfencia que ainda perduram, se bem que desviadas pelas organizagoes civis do seu fim primacial, foi D. Melchior Carneiro, natural de Coimbra, nomeado primeiramente Bispo de Nicea em 1555, com futura sucessao do Patriarcado da Etiopia. Em 1567 foi designado por Sao Pio V para ser o primeiro Bispo do Japao e da China, partindo nesse mesmo ano de Goa para Macau onde assentou a residfincia da sua imensa Diocese. Fundou o Hospital de Sao Rafael para cristaos e pagaos, o Hosplcio dos Lazaros e a Santa Casa da Misericordia. Foi ainda no seu tempo que se abriu o Catecumenado de Sao Martinho em Macau (paroquia de Santo Antonio). Ao tempo da sua morte, em Agosto de 1583, ja Ruggieri e Ricci se preparavam para a Missao de Shiu-Hing que foi a primeira aberta com permanencia concedida aos Missionaries no interior da China e e ainda a sede do que resta, das Missoes do Padroado, a Diocese de Macau! o impulso, entao, das Missoes do Padroado na China deveu-se a um extraordinirio homem que substituiu Xavier no Governo das Missoes da Companhia de Jesus, Alexandre Valignano, italiano, que partira de Lisboa em 1574 com uma leva de quarenta Missionaries para a India; logo depois dele, uma serie de homens verdadeiramente notiveis, OS Padres Cabral, Dias (um senior e outro junior) Sande e outros que constituiram uma selecta pleiade de homens avultados no zelo, na ciencia, nas virtude3 de governo, OS quais concorreram todos para o desenvolvimento social, construtivo e organizador da cidade do Santo Nome de Deus na China. A laboriosidade apost6lica que se afirmou aqui e se expandiu para o Japao, China, Tartaria, Indochina, Cambodja e Siao tomou aspectos de epopeia religiosa. Macau tornou-se o centro de expansao de fe crista, e tambem o abrigo para Missionirios e cristaos contra as perseguigoes levantadas ora nuns sltios, ora noutros. Esta expangao tomou-se possivel pelo numero de Missionaries que de todos OS paises da Europa aflulam a Lisboa para, A sombra do Padroado Portugues, virem evangelizar as terras do Oriente; e partiam de Portugal igualmente protegidos como OS Portugueses, de qualquer nagao que fossem, tao generosa-
mente providos do neces9Ario, do mesmo modo acarinhados, pelos Monareas que sustentavam em sua cabega a coroa de Portugal, talvez entao a do maior Imperio do Mundo. Assim, por exemplo o catAlogo dos Missionaries que partiram de Lisboa em 1578 apresenta-nos distribuidos em trfis naus, que eram Sao Gregdrio, Sao Luis1 e Bom Jesus, catorze Missionarios, dos quais sete Portugueses, seis italianos e um belga: Se examinarmos o catAlogo ate 1740 encontramos 463 MissionArios Jesuitas dos quais 174 Sao Portugueses e 289 estrangeiros. Quanto ao auxilio eficuz que OS Missionario recebiam da Coroa Portuguesa baste-nos este testemunho do Padre Antonio Franco, celebre historiador Jesuita: «SAO OS Reis de Portugal como Pais das Missoes, que a Companhia tem nas suas conquistas, nas quais se tem recolhido frutos imensos e todos OS dias se recolhem. o que no Oriente obrou o grande Apostolo Sao Francisco Xavier, e, a sua imitagao, OS glorioslssimos Missionarios da Companhia, que SAO coisas tao raras e tantas, que parecem inexplicdveis, tudo se deve A liberalidade e piedade dos piissimos Reis de Portugal, que assistiram e assistem sempre liberalmente aos Missionarios com OS gastos que nao pode fazer quem professa pobreza e nada dos bens da terra granjeia com OS seus ministerios». Esta mesma generosidade era compartilhada pelos Portugueses de Macau para com OS MissionArios que se iam introduzindo no apostolado da China: e ate um grande Missionario italiano, Padre Longobardo, que nos deixou esta referenda escrita do interior da China, em Siu-Chau: «No que toca As coisas exteriores, Deus seja louvado, temos tudo o que necessitamos, gragas aos nossos amantissimos Padres de Macau, OS quais fazern grandissima diligencia para procurar-nos as necessarias provisoes que eles nos enviam todos OS anos por meio dos mercadores Portugueses que vem A feira de Cantao*. o incremento missionario e o fruto eram ja tao assegurados em 1575 que o Rei de Portugal, D. Sebastiao, pediu A Santa Se a erecgao da Diocese de Macau, e de facto o Santo Padre Gregorio XIII no Consistorio de 23 de Janeiro de 1575 pela Bula Super specula erigiu a nova Diocese de Macau, nomeando nesse mesmo dia o seu primeiro Bispo titular que foi D. Diogo Nunes Figueira o qual nao aceitou, e foi por isso nomeado depois D. Leonardo de SA, que SO chegou a Macau em 1582. Ora ja desde 1578, OS Portugueses tinham sido autorizados a ir ate Cantao e descer a terra nas suas expedites comerciais, se bem que ao cair da
noite tinham de regressar aos seus navios. Os missionirios tomavam lugar estes barcos e acompanhavam OS comerciantes, cooperando entre si para o bem comum da seguranga dos Portugueses e da introdugao do cristianismo. Muitos foram, pois, OS missionarios que duas vezes por ano assim iam tomando contacto com o interior da China, o primeiro que obteve licenga de poder ficar em terra, hospedado na Embaixada dos tributArios do Siao, foi o Padre Ruggieri, italiano que fez parte de um grupo de notAveis MissionArios, distintos pela ciencia, virtudes e sangue, OS quais em Lisboa, antes de embarcar para as Missoes do Padroado, foram recebidos em audiencia pelo Rei D. Sebastiao: o monarca tornado de profundo reconhecimento para com o Geral da Companhia de Jesus por Ihe enviar tao notAveis homens para as Missoes, OS mandou prover de tudo o necessario com generosidade real. Estes MissionArio, como refere De Ursis, tambem italiano ilustre, nunca esqueceram a largueza de vistas e a p edade real, daquele Monarca, que Ihes ficou impressa na alma. Todos OS MissionArios deste grupo, exceptuando Aquaviva, que morreu mArtir em Salsete, na fndia, foi na China que marcaram a sua forte personalidade missionAria: Ruggieri e Ricci foram OS fundadores das gloriosas Missoes de Macau na China; Passio, que seguiu para O Japao. veio depois, como Visitador da Missao, e aqui morreu em Macau em 1612, chorado por todos; Spinola MArtir do Japao, tem o seu nome ligado A maravilhosa fachada de Sao Paulo de cuja igreja foi arquitecto. A partir de 1583 desenvolveu-se a Missao de Shiu-Hing, donde partiu o impulso para Siu-Chau, Hang-Chau, Nam-Cheug, Nanquim, ate A capital Pequim onde Ricci, genial MissionArio, conseguiu estabelecer a Igreja e trazer a ela homens de importancia no Governo do Imperio, granjeando assim a estabilidade de Macau, devido A influencia com que ele e OS seus sucesores na Corte conseguiram desfazer as constantes invectivas dos mandarins contra esta cidade que desde 1586 tinha tornado o nome oficial de Cidade do Nome de Deus do Porto de Macau na China e era tratada pelos Portugueses com OS direitos de uma cidade da Metr6pole. Aos Padres Ruggieri e Ricci foram logo associados Duarte Sande, de Guimaraes, missionArio notAvel, e Ant6nio de Almeida, do Tortozendo, de grande entusiasmo, mas que morreu novo em Siu-Chau, Soeiro em NamCheong, Joao da Rocha, Manuel Dias, etc. Desde OS inlcios desta empresa da evangelizagao da China ate A destruigao pombalina aportaram a Macau para as Missoes da China 463 MissionArios Jesuitas dos quais 174 Portugueses e 239 de vArios paises da Europa. Num mapa antigo encontrei apontadas em todas as provincias da China 200 igrejas e capelas, 24 residencias, 3 colegios, 1 noviciado e umas 47 missoes
levantadas pela Companhia de Jesus: era o desenvolvimento florescente da obra comegada em Macau, ao cabo de um seculo. A obra notAvel de evangelizagao portuguesa, que era universal em todo o Oriente e vinha desenvolvendo-se desde D. Manuel I, mas sobretudo desde D. Joao III, fez com que Inocencio IV desse, num Breve, este notAvel testemunho da obra MissionAria da Companhia de Jesus: * o Altissimo. Doador de todas as gragas, ateou nos vossos coragoes tanto amor da sua gloria, tanto zelo pela salvagao das almas que muitos membros da vossa Companhia ardendo em desejos de propagar a Religiao Crista e de trazer OS pagaos idolatras ao conhecimento do seu Criador e Salvador, nao se atemorizaram com OS cansagos e perigos de viagens e navegagoes; destas paragens da Europa nao temem passar A Etiopia, A Persia, A India, As Molucas, ao Japao e a outras ilhas do Oriente muito afastadas e situadas nos mais remotos confins do Mundo*. E na verdade, OS relatorios particularcs, ineditos ou publicados, por exemplo, OS dos Padres Azevedo, Cancela e Cabral, das suas viagens de Agra para o Tibete, a Asia Extrema de Padre Gouveia, OS livros editados sobre hist6iia, geografia, religioes, linguas, verdadeiros monumentos etnogrAficos, ai estao em muitas bibliotecas como documentos da afirmacao do Papa Inocencio IV : Sao notAveis padroes de gloria nacional, eclesiAstica e religiosa. Os monarcas Portugueses do tempo Aureo da nossa grandeza e de modo particular D. Joao III que * era entre OS Reis da sua epoca, exemplar na religiao nas esmolas, no decoro real, na prudencia ilustrada com as artes tanto da paz como da guerra, na justiga coroada com OS raios da clemencia, na magnificfencia adornada com todos OS encantos da modestia» foram sustentAculos da obra da evangelizagao. No conceito de Santo IgnAcio o rei piedoso de Portugal foi «entre os Principes cristaos o primeiro e mais principal instrumento da Providencia » de Deus para levar adiante a obra apostolica da Companhia de Jesus e de Portugal. E os seus sucesores mostram-se generosos em auxiliar a empresa missionAria do Padroado, fundando e subsidiando colegios de formagao religiosa, auxiliando, quanto podiam, as obras necessArias para o culto e acgao evangelica. Isto escrevemos em 1934 quando da exposigao colonial do Porto, e acrescentAvamos: Mas claro estA que assim como o Imperio material tambem o espiritual era de tamanha grandeza que necessAriamente havia de ser impossivel para cs Reis de Portugal sustentarem sobre seus ombros o ediflcio grandioso do Padroado tal como era, na vasta concepgao da sua origem.
Por mais que a inveja, ou, sectarismo politico ou, ainda, um zelo mal orientado tenham perseguido o Padroado, este, tendo sido concedido por esplrito de gratidao e de zelo da Santa Se, e legitimado com insofismAveis documentos pontificios, o Padroado Portugues digo, tem a gloria inalienAvel de ser o ponto de partida para a eficaz evangelizagao de todas as paragens descobertas desde o seculo XV em diante. Assim como o trabalho dos missionarios tornou posslvel A Igreja estabelecer a Jerarquia eclesiastica em terras de Missoes, assim tambem o Padroado realizou em favor da Igreja o servigo de lhe tornar possivel a entrada de MissionArios da S. c. da Propagagao da Fe a evangelizar terras onde OS ministros de Deus nao poderiam entrar, pelo conjunto de circunstancias de entao. E do mesmo modo que o desenvolvimento da Igreja exigiu, para se manter, a formagao de sacerdotes nativos, assim essa mesma expansao evangelica passava das marcas possiveis para ser sustentada por uma so Nagao, por mais generosa que fosseFoi por isso que se criou a Obra da Propaganda Fide ou da Propagagao da Fe, encarregada de sustentar outras Associagoes MissonArias que entraram a trabalhar em territ6rios seccionados do Padroado. Se a dificuldade principal de o Padroado se desempenhar da sua missao provinha da impossibilidade de poder Portugal dar As Missoes tantos Missionarios quantos ia requerendo o avango da Evangelizagao, as leis anti-nacionais de Pombal vieram a agravar essa circunstancia, destruindo com a expulsao dos Jesuitas o esquadrao missionArio que tanto tinha facilitado a Portugal tornar bem eficaz a obra do Padroado. Muitos MissionArios, sem sombra de delito foram arrancados i s suas Missoes para serem transportados para as prisoes pombalinas. Era, pois, imperioso delimitar ainda mais o territorio do Padroado Portugues. Depois de Pombal nunca mais foi possivel equilibrar o problema missionArio em Portugal, o espirito de maldade com que se perseguiu a benemerita Companhia de Jesus nao tardou a perseguir todas as Ordens Religiosas e assim sucessivamente se foram reduzindo as forgas, jd debilitadas, para campo tao vasto como era o do Padroado. A supressao das Ordens e Congregagoes Religiosas em Portugal e seus Dominios em 1834 infiltrou ao mesmo tempo uma certa aversao ou pelo menos indiferentismo para com a vida religiosa, e quando foi possivel reconstituir algumas dessas falanges da Igreja, notou-se a dificuldade de recrutamento de vocagoes para a vida religiosa. Esta faceta da vida catolica em Portugal perdura ainda e ate se tem manifestado de maneira surpreendente em pessoas de piedade e dadas A formagao e direcgao da juventude. Recentemente o Santo Padre chamou
a atengao para problemas relatives a vida religiosa, acentuando que ninguem tem o direito de desviar vocagoes da vida religiosa. Logo desde OS principios da fundagao de Macau, OS Jesuitas construiram um SeminArio chamado Colegio de Sao Paulo, inaugurado em 1595 e mais tarde o de Sao Jose, para formagao do clero nativo das Missoes do Japao e da China, o de Sao Jose ainda perdura e nele se tem formado muitos sacerdotes seculares Portugueses e chineses. Portugal, pais profundamente cristao, foi missionario logo desde o tempo das descobertas, e por isso, mesmo entre o clero secular, houve tambem sempre vocagoes missionArias. Em Macau ja desde 1670 havia missionarios seculares e a tradigao nao se perdeu ate hoje, e tem havido, entre Portugueses como entre chineses, missionarios muito notaveis. Nao pude porem obter um catAlogo onde se tenham guardado OS nomes de todos estes benemeritos apostolos. Quando faltaram as Congregagoes religiosas, foram eles quem sustentaram o apostolado e as suas obras de formagao missionAria. III — Missoes actuais do Padroado no Extremo-Oriente A Diocese de Macau sofreu sucessivamente vArios desmembramentos. Pela Concordata de 1857 ficou a Diocese a compreender o seu proprio territ6rio de Macau, Provincia do Kwangtung e as ilhas adjacentes, tendo-se entao desmembrado a Provincia do Kwangsi, e a grande ilha de Hong-Kong que comegou pouco antes a ser territorio ingles. No anexo A desta Concordata se estabelece que entre as ilhas adjacentes sujeitas a jurisdigao de Macau se conta a grande ilha de Hainan. Nova Concordata levada a efeito em 1886 estabelece no Artigo 9 que «as cristandades de Malaca e Singapura dependentes da jurisdigao extraordinAria do Arcebispo de Goa, ficarao sujeitas a jurisdigao do Bispo de Ma c a u. Em 1903, a Diocese macaense estava reduzida ao seu territorio de Macau e Timor, isentos de Singapura e Malaca e ilhas de Hainam e Heungshan. Todo o Kwangtung excepto estas duas ilhas estava a cuidado dos missionArios franceses das Missoes Estrangeiras de Paris, organizados num Vicariato com sede em Cantao, alem da parte leste da Provincia dividida entre OS vicariatos de HongKong e Swatow, e a parte do Sul que formou o Vicariato de Pak-Hoi. Por interesses do Governo franees relativos A Indochina, foi porposta uma troca entre a ilha de Hainam, que ficaria para as Missoes francesas, e Shiu-Hing,
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