991006039859706306

CINEMA Ha numa das paredes do meu quarto de dormir, um "Ecran" — casualmente formado pelo reflexo de um caixilho de janela que recebe, do exterior, a luz electrica da iluminagao publica — onde se projectam sombras de arvoredo dum jardirn proximo, que me dao a impressao de imagens em movimento, conforme 0 vento. E, assim, umas vezes, sao cabegas de leoes a morderem-se constantemente; outras, de gente em disputa permanente, e ainda outras, de animais esquisitos, todos brigando, em sentidos diversos. Tudo isto eu vejo ao deitar ate que a retina, cansada do lix.ar. trankere esta sessao para 0 pensamento. Depois . . . adormego para, na noite seguinte, ter 0 mesmo comego. Mas tanto tenho dormido sobre 0 caso, que se me afigura este Cinema de mero "acaso" como realidade vivida do que se passa no "Ecran" da vida: — "Lutas sangrentas para impor a Paz-arinada, porque a outra, a duradoura, ninguem mais a alcanga, por se ter ido, para sempre, de maos-dadas com a Bonanga!" Macau, Junbo de 1949.

RkJQdWJsaXNoZXIy MTQ1NDU2Ng==