repetigao de diferentes fases da Historia de Macau, abrigo sagrado dos Obreiros evangelicos e ate dos fieis das cristandades, perseguidos desde a Tartaria ou Manchuria, Mong6lia, de todas as Provincias da China, do Japao, a da Conchinchina, Burma, Cambodja, Siao e Laos: Daqui saiam OS pioneiros da fe e aqui se recolhiam quando se tornava imperioso abrigar-se da tempestade para salvaguardar OS interesses do Apostolado. Designio foi da Providencia que Portugal dilatasse ate aqui o seu Imperio para dilatar a fe! Dilatagao da Fe e do Imperio, eis o binomio sintetico da colonizacao dos Reis de Portugal. E, deste binomio, a dilatagao da fe foi certamente a determinante primacial. o Mestre de Aviz de tal modo comecou por subordinar a honra e o proveito das suas empresas ao servigo de Deus, que este servigo era a regra escrupulosa de consciencia para medir a liceidade das empresas, por mais honra e proveito que delas pudesse advir ao Imperio. E assim escrevia : « Quero primeiramente saber, se isto e servigo de Deus de se fazer; ca por mui grande honra nem proveito que se me delo possa seguir, se Mo achar que e servigo de Deus, nao entendo de o fazer, porque sdmente aquela cousa e boa e honesta na qual Deus inteiramente i servido*. E o Infante D. Henrique, especificando este servigo de Deus na conquista das almas a fe de Cristo, aponta entre OS motivos da empresa dos Descobrimentos, 0 grande desejo de acrescentarem a Santa fi de Nosso Senhor Jhu xpd e trazer a ela toda las almas que se quizerem salvar» . o nosso Epico a cada passo deixa transluzir a mesma ideia, mormente quando, narrando perigos, poe oragoes pateticas na boca dos navegantes, como aquela que atribue a Vasco da Gama ao sair da traigao de Mombaga: — De quem, sem Ti, nao pode ser guardado. E se te move tanto a Fiedade Desta misera gente Peregrina Que so por Tua altissima Bondade Da gente a salvas perfida e malina, Nalgum porto seguro, de verdade, Conduzir-nos ja agora determina Ou nos amostra a terra que buscamos Pois so por Teu Servigo navegamos! (2) (1) Cfr. SERAFIM LEITE, Camoes c a Epopeia da Expansao, Rio de Janeiro, 1948. (2) Lus, Canto II, Est. 32.
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