As Cartas ânuas que irão ler-se inserem-se num impulso de valorização, por parte da Província jesuítica do Japão, da recentemente criada missão na Cochinchina, principiada em 1615, e mediante a qual, juntamente com outras ações, os dirigentes inacianos procuraram de alguma maneira reorganizar a atividade missionária no Extremo Oriente após a expulsão decretada contra os seus missionários no Japão, que significou um brutal golpe nas estratégias e investimentos de toda a sorte realizados, com tão promissores auspícios, no Império do Sol Nascente. O esforço de promoção da missão da Cochinchina foi predominantemente incumbido a Gaspar Luís, que durante um período ininterrupto de catorze anos se manteve corajosamente naquela região e foi sacerdote dotado de evidentes qualidades literárias, sobretudo como eminente latinista, além de saboroso prosador em língua portuguesa, do que estas cartas dão sobeja prova, no retrato vívido e por vezes dramático que traça de uma realidade humana e cultural que os escritores "candnicos", que de leve versaram a presença portuguesa naquelas paragens, praticamente relegaram ao silêncio. Assim, pensamos que a publicação destas cartas ânuas também contribuirá para um melhor conhecimento, não apenas das estratégias de territorialização da Companhia de Jesus, gizadas a partir de Macau, mas igualmente dos desafios constantes que efetivamente se colocavam aos jesuítas que foram destinados para esta região do atual Vietname. Também claramente se colige, do que fica dito, a grande importância de que a leitura crítica destes documentos se reveste para as mais diversas áreas do saber, desde a etnografia e a linguística até à história religiosa, política, económica e social, tanto numa perspetiva exclusivamente local, como na da interação, sob os mesmos pontos de vistas, além do cultural e diplomático, com o Japão, a China e, sobretudo, Macau. Coleção Fontes Históricas ISBN 978-972-8586-62-1
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