um comereiante, Diogo Pereira. Para mais D. Alvaro mantinha inimizade com Diogo Pereira por este nao perdoar ao fidalgo dez mil ducados que Ihe tinha emprestado. Por vinganga D. Alvaro deteve em Malaca Diogo Pereira, e so deixou que a sua nau seguisse viagem, substituindo-lhe a tripulacao por outra da sua confianga; e so permitiu tambem que Xavier seguisse viagem sem a embaixada. Xavier, que tinha tido delicadezas para com D. Alvaro de Ataide, a ponto de at6 ir dizer-lhe missa em casa, viu profeticamente o castigo de Deus sobre o fidalgo por tao baixa pertinicia em impedir o piano que por autoridade superior quis realizar. Ao despedir-se de Malaca assim exprimiu a sua dor por D. Alvaro : «Ay del! por que ha de ser muy presto castigado de Dios en la honra, en el cuerpo y en la hacienda; y plegue a sua divina bondad que no le castigue en el alma». Como se deve ter lembrado destas palavras do Santo quando, poucos meses depois, D. Alvaro de Ataide cargado de infortunios e desditas foi de Malaca para Portugal condenado a prisao perpetua pelos maleficios do seu Governo, vindo por6m a morrer arrependido segundo alguns bi6grafos do Santo Apostolo do Oriente! Com o coragao cheio de tristeza partiu Xavier na nau «Santa Cruz», sem a companhia do seu amigo: qual fosse o seu estado de alma revelou-o nestas suas palavras escritas de Singapura, indo nesta viagem para a China: «Eu vou is ilhas de Cantao, desamarrado de todo o favor humano, com esperanga que algum mouro gentio me levari a terra firme da China; porque a embarcagao que tinha para ir a terra firme impediu-a Dom Alvaro forgosamente, nao querendo guardar as provisoes do Senor Viso-rrey, em que mandava a Diogo Pereira que fosse por embaixador a El-Rey da China e a mym em sua companhia*. Descorogoado por esta grande contrariedade, Xavier chegou a Sheung- -Chau ou San Choao na nau «Santa Cruz* em Agosto de 1552, encontrando ali vinos navios Portugueses, o Santo, retomando o apostolado junto dos Portugueses que nunca negligenciava, procurou pdr-se em comunicagao com OS chineses da ilha, agenciando sempre a realizagao do seu sonho de entrar na China. Conseguiu a promessa de um mercador chines de o levar a uma aldeia, de onde era natural, no Kwangtung, esconde-lo em sua casa, e ir aeixi-lo is portas de Cantao. E ainda o grande Apostolo que nos di conta destas suas diligencias e dos seus pianos: «Irei imediatamente a ter com o governador; dir-lhe-ei que viemos
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