para ir ver o Rei da China; mostrarei as cartas do Senhor Bispo de Goa escritas ao Rei e nas quais ele delara que Sua Alteza me envia a prfegar a lei de Deus. Como dizem OS indigenas, corremos dois perigos: o primeiro e que muito bem pode acontecer que o barqueiro, que nos leva, uma vez que tenha recebido OS duzentos Crusados, nos abandone em qualquer ilha deserta, ou nos deite ao mar, por medo do Governador. Ou entao, se ele nos leva a Cantao, e nos nos apresentamos ao Governador, este nos meta em torturas e nos lance numa prisao, porque o nosso piano e coisa inaudita!». A tripulagao da nau « Santa Cruz» — como dissemos — tinha sido expressamente constituida por elementos do mau fidalgo D. Alvaro e com indicates para abandonar a si mesmo o Santo Missonario, como vinganga da excomunhao que Xavier langara contra ele em Malaca. Levando a carta que acabamos de citar, escrita em 22 de Outubro, partira o linico irmao leigo que Xaxier tinha em sua companhia, o irmao Alvaro Ferreira, que o Santo julgou, por sua fraca saude, nao aguentar com as conseiras do piano que ele tinha em vista, e ficou apenas com dois servigais dedicados, Cristovam, do Malabar, e o chines Antonio que fora aluno no Coldgio de Goa. Pouco a pouco OS navios Portugueses, terminadas as suas transacgoes, foram abandonando o posto da ilha, ficando nele apenas a nau « Santa Cruz». o comerciante chines que fizera contrato com Xavier, para o levar ao interior da China, faltou 4 promessa e o grande Apostolo, vencido por todas estas contrariedades, sentindo morrer-lhe a esperanga do seu sonho dourado, calu doente, com o seu organismo dessorado pelo cansago das suas correrias apost6licas. Sem conforto, e abandonado da tripulagao que o Fidalgo de Malaca pusera a bordo da nau • Santa Cruz», consumido de febre numa palhota das que OS Portugueses ali tinham levantado, procurou recolher-se ainda no dia 22 de Novembro a bordo da sua Nau. o mar em Sao Choao e sempre mau, e Xavier, enfermo como estava, nao aguentou o baloigo da embarcagao e regressou a palhota de um portugues mais caritativo dos que ainda ali restavam, o qual lhe fez um Sangria. Perdeu os sentidos, sobreveiu-lhe o delirio, passaram-se assim uns dias ate 1 de Dezembro, em que recobrou o conhecimento; e logo na madrugado de 3 de Dezembro voou para o ceu a alma do notavel apostolo, espanhol de nascimento, missionario de Portugal. Fora apenas assistido naquele desamparo por dois Portugueses e OS dois fieis companheiros Cristovam e Antonio, chines, a quem se devem as informagoes dos seus ultimos dias e ainda o transporte do seu cad&ver para Malaca dois meses depois, a bordo do mesmo navio « Santa Cruz*.
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