INTRODUÇÃO A seguir à transição, Macau desapareceu da agenda política portuguesa, em contraste evidente com o que se passa no Reino Unido em relação a Hong Kong. Poucos se debruçaram sobre o estudo das negociações com a China para a retro- cessão de Macau, um processo em que o enclave transita para a anterior potência administrante sem ter direito à autodeterminação, ao contrário do que se passa nos casos de descolonização, em que os residentes decidem o seu futuro.1 1 Para mais informação sobre o conceito de retrocessão ver: Mendes, Carmen Amado, «The im- plications of the Special Administrative Regions for the international system: Macau as a successful case study», in Wei George (ed.) Macau, The Formation ofa Global City, Nova Iorque, Routledge, 2014, Capítulo 11. 2 Saldanha, António X^sconcelos de, Estudos sobre 〃s Relações Luso-Chinesas, ISCSP e ICM, Lisboa, 1996. 3 Fok Kai Cheong, Estudos sobre a. Instalação dos Portugueses em Macau, Gradiva, Lisboa, 1996. 4 Wu Zhiliang, Segredos 力 Sobrevivência — História Política de Macau, Associação de Educação de Adultos de Macau, Macau, 1999. A bibliografia mais abundante sobre Macau incide no período inicial do estabelecimento dos portugueses no Território e no século xix. Estudos sobre as Relações Luso-Chinesas, de António Saldanha, cobre o período que vai desde o início do estabelecimento dos portugueses em Macau até à década de 1970 do século xx.2 Saldanha conjuga a perspetiva histórica, jurídica e de relações internacionais, oferecendo pormenores exaustivos, notas explicativas e extensas referências sobre os tratados luso-chineses. Sobre os antecedentes históricos de Macau destacam-se ainda três livros de autores chineses: Estudos sobre 〃 Instalação dos Portugueses em Macau, de Fok Kai Cheong, centrado nos séculos xvi e xvii3, Segredos da Sobrevivência, de Wu Zhi- liang e Macau: A Cultural Janus, de Christina Miu Bing Cheng. Fok é o autor do conceito «formula Macau», que ajuda a entender a tolerância chinesa para com a longa presença portuguesa no Território. Wu divide as relações luso-chinesas em sete fases, de acordo com a soberania de fiicto que Portugal e a China foram partilhando sobre Macau, desde o início do estabelecimento dos portugueses no Território até ao período pós-transição.4 O seu principal contributo é o uso 15
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