Francisco Gonçalves Pereira deixou-nos um legado importante em Ac com- modating Diversity — The Peoples Republic of China a.nd the "Question of Macao" [1949-1999p3, que ajuda a entender a longa presença portuguesa num enclave que a China poderia ter recuperado sem qualquer dificuldade, em qualquer altura. Mas esta obra também não procurou a análise detalhada das negociações. Assim, apesar da relevância do tema, os estudos sobre a estratégia do Governo português para as negociações e para o processo de transição de Macau são praticamente inexistentes, não sendo alvo de grande interesse académico, sobretudo se compararmos com a bibliografia existente sobre Hong Kong. Na imprensa, mesmo em Portugal, existia mais informação sobre os «escândalos» da Administração de Macau do que sobre as negociações propriamente ditas. As negociações luso-chinesas são apenas parcialmente abordadas em algumas das obras acima mencionadas e em biografias ou memórias, de intervenientes diretos ou indiretos no processo, que entretanto foram publicadas. É o caso dos livros Todos os Portos a que Cheguei, dedicado à Administração Rocha Vieira, os discursos deste Governador em Um Futuro para Macau 1991-1999 e Macau nos Anos da Revolução Portuguesa, 1974-1979, do General Garcia Leandro.14 13 Pereira, Francisco Gonçalves, Accommodating Diversity — The Peoples Republic of China and the 'Question of Macao [1949-1999], Centro Cultural e Científico de Macau, Lisboa, 2 013. 14 Vieira, Pedro, Todos os Portos a que Cheguei, Gradiva, Lisboa, 2010; Vieira, Vasco Rocha, Um Futuro para Macau 1991-1999, Governo de Macau, Macau, 1999 e Leandro, Garcia, Macau nos Anos 力 Revolução Portuguesa —1974-1979, Gradiva, Lisboa, 2 011. 15 De João de Deus Ramos destaca-se a coletânea de textos em Portugal e a Ásia Oriental, Fundação Oriente, 2012, e os seguintes artigos: «A Embaixada de Alexandre Metelo de Sousa e Meneses: Negociações com a China no Século XVIII», Política Internacional, n.° 2, vol. I, Lisboa, 1990; «Relações Diplomáticas entre Portugal e a China no Primeiro Quartel do Século XVIII», in Alves, Jorge dos Santos (coord.), Portugal e a China — Conferências do II Curso Livre de História das Relações entre Portugal e a China (SéculosXVI-XIX), Fundação Oriente, Lisboa, 1999; «Declaração Conjunta sobre Macau: Um Olhar Retrospectivo», in Alves, Jorge dos Santos (coord.), Portugal e a China — Conferências nos Encontros de História Luso-Chinesa, Fundação Oriente, Lisboa, 2000; «As Relações Luso-Chinesas e a Declaração Conjunta de 1987», in A Presença portuguesa no Pacífico - Fórum Macau, ISCSB Lisboa, 1999. O importante contributo do embaixador João de Deus Ramos, que abriu a embaixada portuguesa em Pequim depois do estabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a República Popular da China em 1979, adquire, neste âmbito, especial relevância. Ao ter estado envolvido nas negociações da Declaração Conjunta Luso-Chinesa e nas negociações do período de transição de Macau, o diplomata e investigador oferece-nos em primeira mao relatos da abordagem portuguesa nas várias fases das negociações. A sua extensa obra15 reflete uma rara capacidade analítica e sentido crítico, combinados com um conhecimento apurado da história das relações entre Portugal e a China. O embaixador assumiu que, quando as negociações começaram na década de 1980, a situação em Portugal era 18
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