Jorge Godinho - Os casinos de Macau - ABAMAPLP

11 INTRODUÇÃO virtude das invasões francesas e em Macau pontificava o Ouvidor Arriaga5. Esta lotaria existiu durante mais de um século, embora com hiatos, tendo sido encerrada no século XX, com a eclosão da Guerra do Pacífico. Nunca atingiu uma dimensão financeira muito elevada. b) Apostas em corridas de cavalos As apostas em corridas de cavalos, a trote ou a galope, existiram em três momentos em Macau. O primeiro foi desde uma data não conhecida, que se situará no final do século XVIII ou no início do século XIX, até 1843. As corridas tinham lugar na zona da Areia Preta, que na altura não fazia ainda parte da cidade, sem qualquer quadro legal ou fiscal, e eram uma organização da comunidade inglesa radicada em Macau. A falha diplomática de Henry Pottinger em considerar Macau como território submetido ao Imperador da China6, numa altura em que a administração portuguesa começava a tentar alargar o seu domínio até à Casa Branca ou, pelo menos, até às Portas do Cerco7, levou ao cancelamento das corridas de 18448. Os ingleses viraram-se então para Hong Kong: em 1845 as corridas realizaram-se em Pokfulam, enquanto se construía o hipódromo de Happy Valley, onde começaram em Dezembro de 18469. Um segundo período começou em 1927, no mesmo hipódromo na Areia Preta, sendo as corridas operadas pelo 5 A lotaria, «criada com um fundo de 50.000 patacas, com a dedução de 16%, após retiradas as despesas, dava mais de 7.000 patacas a aplicar no apoio às missões»: Jorge de Abreu Arrimar, Macau no primeiro quartel de oitocentos. Influência e poder do Ouvidor Arriaga (n. 4), 190. 6 Numa Ordinance de 24 de Janeiro de 1844 onde se escreveu que «And for the prevention of doubts upon the subject, be it enacted, that the peninsula of Macao, shall for the purposes of this ordinance, and of all other ordinances, made by virtue of the power herein beforementioned, be deemed, and taken to be within the dominions of the emperor of China». Sobre o ponto e a controvérsia diplomática gerada, cfr. António Vasconcelos de Saldanha, A «Memória sobre o estabelecimento dos portugueses em Macau» do Visconde de Santarém (1845). Os primórdios da discussão da legitimidade da presença dos portugueses em Macau, Instituto Português do Oriente, Macau, 1995, 27 ss. 7 Sobre estas tentativas, cfr. António Vasconcelos de Saldanha, «“Um estabelecimento a refundir e criar de novo”. Macau e a política externa portuguesa na China (1842-1853)», in António Vasconcelos de Saldanha, Estudos sobre as relações luso-chinesas, ISCSP e ICM, Lisboa, 1996, 67 ss. 8 Austin Coates, China races, Oxford University Press, Hong Kong e Nova Iorque NY, 1994 (reimpressão da ed. de 1983, com um posfácio adicional), 16 s. 9 Peter Moss, The race goes on. A millennium retrospect of racing in Hong, Hong Kong Jockey Club, Hong Kong, 2000, 4 ss. Em 1978 um segundo hipódromo abriu em Shatin, nos Novos Territórios.

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