39 A LEGALIZAÇÃO DO FANTAN pela única razão, talvez, de ela pesar setecentos e vinte milésimos do peso chinês denominado tael, e de se haver, errada e arbitrariamente atribuído à prata, correspondente a este peso, o valor de mil réis; e sendo indispensável reformar, quanto antes, uma semelhante prática, fixando àquela moeda, a única que corre em Macau, um valor mais aproximado ao que lhe corresponde pela comparação com a moeda de outras nações que efectuam transacções comerciais com a China; e obviando, por este modo, ao grave prejuízo, que do diminuto valor em que actualmente é reputada a sobredita moeda, resulta para o cofre da fazenda pública da referida cidade, cujas verbas de receita são geralmente calculadas e efectuadas em um certo número de patacas, quando as despesas o são, pela maior parte em réis (…)». Esta medida causou descontentamento em Macau junto dos funcionários públicos, pela diminuição salarial que representou. No entanto, em poucos anos, dado o desafogo financeiro que se seguiu, foi possível corrigir a situação. Em 1856 os salários dos funcionários públicos foram aumentados em vinte por cento pelo Decreto de 16 de Agosto de 185666, em cujo preâmbulo se pode ler o que segue67. Tendo o Governador da Província de Macau, Timor e Solor representado a necessidade de se elevarem os ténues ordenados que vencem uma grande parte dos Empregados Públicos do Estabelecimento de Macau, expondo a urgência de que esta providência se tome quanto antes a respeito d’aqueles que não excedem a 100$000 réis anuais, e que tendo ainda sofrido um redução de 15 por cento pelo maior valor dado à pataca, pelo Decreto de 12 de Outubro de 66 Diário do Governo, n.º 196, 20 de Agosto de 1856; in Boletim Oficial, vol. III, n.º 4, 15 de Novembro de 1856, 14. 67 Cfr. em geral, Anabela Nunes Monteiro, «Pesos e medidas» e Carlos Lipari Pinto, «Tael», ambos in Rui Martins (dir.), Maria Antónia Espadinha (ed. exec.), Leonor Dias de Seabra e António Rodrigues Baptista (coords.), Ditema. Dicionário temático de Macau, vol. IV, Universidade de Macau, Macau, 2011, 1162; Rogério Beltrão Coelho, BNU Macau. Memórias de um banco, Banco Nacional Ultramarino, Macau, 1991, 89 ss; Joaquim Marinho de Bastos, «Macau e a origem da pataca», in AAVV, Presença da cultura portuguesa no Extremo Oriente, Instituto Cultural de Macau, Macau 1986, 72 ss; Manuel Bernardo Lopes Fernandes, Memória das moedas correntes em Portugal desde o tempo dos romanos, Typographia da Academia, Lisboa, 1856, 350; Carlos Lipari Pinto, «Facturas em taéis de prata e pagamentos em reais – Na formação do sistema monetário do Macau antigo», in Administração, n.º 101, vol. XXVI, 2013-3.º, 827 ss.
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