38 OS CASINOS DE MACAU Neste contexto, os valores em «patacas» citados até ao final do século XIX referem-se ao «dólar mexicano» ou peso duro espanhol, uma unidade monetária de prata de origem espanhola cunhada no continente americano, que foi amplamente usada durante séculos na Europa, na América e na Ásia; foi a primeira moeda com circulação mundial. A pataca ou peso duro espanhol circulava na região e era aceite pelos chineses não como moeda soberana, mas sim pelo seu peso em prata, medido em taéis. Tratava-se de um sistema de silver standard. O Governo de Macau arrecadava e registava a maior parte das receitas (como impostos, rendas e multas) em taéis de prata. Certas despesas, como os salários dos funcionários públicos, eram legalmente fixadas em réis, mas pagas em patacas ao câmbio vigente. O câmbio da pataca de prata com a moeda portuguesa adoptado na altura era de 0$720 réis. Este câmbio acompanhava o peso das patacas espanholas, de 0,72 taéis, ou sete mazes e vinte condorins de prata (de acordo com sistema decimal de pesos em uso na China pelo qual um tael tinha 10 mazes, um mas 10 condorins e um condorim 10 caixas). Ou seja, havia uma paridade de um para um entre 1$000 réis e um tael. No entanto, esta equivalência foi identificada como incorrecta, no início da década de 1850, no quadro de um esforço de contenção das despesas. O negociante Alexandrino António de Melo propugnou uma alteração do câmbio para 0$920 réis64. A valorização da pataca face à moeda portuguesa veio a ser aprovada pelo Governo de Lisboa em 1853: o câmbio da pataca foi então alterado de 0$720 réis para 0$850 réis – o que correspondeu a uma desvalorização de monta da moeda portuguesa face à pataca – e a contabilidade da Junta da Fazenda passou a fazer-se em patacas e réis. A situação que então existia é descrita no preâmbulo do diploma que aprovou estas medidas65. Havendo-se até agora dado, pela administração da fazenda pública de Macau, o valor de setecentos e vinte réis à pataca ou peso duro espanhol, 64 Sobre esta questão cfr. o escrito da época de Carlos José Caldeira, Apontamentos de uma viagem de Lisboa à China e da China a Lisboa, vol. I, Tipografia G. M. Martins, Lisboa, 1852, capítulo LI, 374 ss; na republicação Macau em 1850, Quetzal, Lisboa, 1997, 301 ss. 65 Portaria do Ministro dos Negócios da Marinha e Ultramar de 12 de Outubro de 1853, in Diário do Governo, n.º 251, 25 de Outubro de 1853; in Boletim Oficial, n.º 3, 8 de Abril de 1854, 122.
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