Impressionado pelas ocorrências em seu redor, isto é, as imposições e contrastes do ambiente natural em que se inseria, como a oposição entre dia e noite ou entre frio e calor, o ser humano procurou desde cedo, e de forma relativamente rápida, justificar essas circunstâncias através da criação de um conjunto de seres sobrenaturais, com grande poder, que, pela própria influência manifestada, levavam a que ele próprio ora se aliasse, ora se afastasse dos mesmos. Essas explanações, claro, não surgiram espontaneamente, tendo-se assistido, durante um período inicial, à subsistência de um substrato naturista, sobretudo concernente às manifestações naturais do universo, como a presença de rios, plantas ou astros, e, posteriormente, à sua passagem para uma fase animista, traduzida pela crença em espíritos, almas ou divindades, isto é, forças de caráter sagrado que, por alguma razão, administravam esses fenómenos. Desta evolução ou desenvolvimento da imaginação e criatividade humanas, surgiram o medo, o respeito e a devoção perante tais realidades que, ainda assim, no seu ponto de vista, pareciam inexplicáveis. Por conseguinte, nasceu, no ser humano, a esperança de que, por meio da realização de rituais ou estabelecimento de cultos, estas forças pudessem agraciá-lo com dádivas, ajudas e, no geral, toda a espécie de bênçãos ou benefícios. Aliás, este tipo de práticas, regulado por, porventura, o que se poderia designar por religião embrionária ou rudimental; procurava garantir o perpétuo e constante funcionamento do universo, atribuindo-lhe e fornecendo-lhe força para os seus processos de criação e renovação. Coleção Língua e Cultura
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