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Nota Introdutória As traduções de ficção e poesia que integram a primeira parte do livro, e que viajam no espaço e no tempo até nós desde o início do século XX chinês, são, à primeira vista, simples experimentações literárias. A contextualização, desenvolvida na segunda parte, realça as implicações que tais aparentes simplicidades tinham na língua e sociedade chinesas. Dessa forma, na segunda parte do trabalho, a Literatura lança âncora numa forte contextualização histórica para nela se ler uma China. Desafiando a perspectiva formalista que considera a expressão literária como independente das condições sociopolíticas que a contém, propõe-se nesta parte do livro uma leitura que extravasa as páginas da revista Nova Juventude e que caracteriza, ou tenta caracterizar, um momento da grande jornada que foi o processo de reforma do chinês vernacular. Não obstante um interesse pessoal por este tipo de caracterização, acredito igualmente que a literatura não é somente um produto dos seus autores e da sua contextualização, sendo que um texto literário pode simplesmente sê-lo. Assim, para possibilitar diferentes leituras de acordo com o interesse do leitor, encontramos eni primeiro lugar os textos originais e as respectivas traduções, e em páginas separadas, na segunda parte, uma interpretação de vários aspectos contextuais. Estas traduções surgiram da ânsia de querer abraçar toda a literatura chinesa e trazê-la para Portugal. Depois de rapidamente sucumbir a tamanha impossibilidade, decidi começar pelo início da fase moderna, e as páginas da revista Nova Juventude mostraram-se profícuas para uma introdução à literatura chinesa. Aqui encontram-se nomes grandes da literatura, como Lu Xun, mas também figuras que apenas tiveram um papel activo na revista e nos círculos culturais e educativos da altura sem gravar a posterioridade da literatura do país. Porém, pretendo demonstrar que marcaram a sua contemporaneidade em vários aspectos, como o papel da mulher na literatura e educação, a experimentação na expressão poética, ou a criação de novas estruturas linguísticas. A maioria dos textos aqui apresentados vê pela primeira vez a sua expressão em língua portuguesa, exceptuando o clássico conto "Diário de um Louco" de Lu Xun, que integra uma rara publicação em Portugal: uma antologia de algumas das obras do autor traduzida directamente do chinês, intitulada Ervas Silvestres, publicada em 1998 pela editora Cotovia e com tradução de Sun Lin e de Luís G. Cabral. Digo rara publicação tanto como elogio à iniciativa dos tradutores e da 9

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