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O próximo capítulo apresenta os antecedentes políticos da questão de Macau, desde a chegada dos portugueses ao Território no século xvi até às negociações para o estabelecimento das relações diplomáticas entre Portugal e a RPC concluídas em 1979, que se arrastaram em parte devido à questão de Macau. O acordo de 1979 estabeleceu as linhas de orientação futuras: os dois governos definiram pela primeira vez a sua posição sobre Macau, acordando não alterar unilateralmente o status quo e resolver o problema pela via negociai. As negociações luso-chinesas para a resolução da questão de Macau são analisadas no capítulo seguinte. A fase pré-negocial teve início em 1984 quando os chineses assinalaram que tinha chegado o momento de resolver a questão. As negociações formais começaram em 1986 e foram concluídas em 1987, com a assinatura da Declaração Conjunta Luso-Chinesa para a Questão de Macau. A abordagem negociai portuguesa foi essencialmente reativa, ou seja, Portugal raramente assumiu a iniciativa nas negociações, limitando-se a reagir à agenda chinesa. Quando a China colocou a questão de Macau em cima da mesa, o Governo português foi confrontado com a inexperiência dos seus diplomatas relativamente a Macau e teve muita dificuldade em delinear uma estratégia coerente para as negociações. A retrocessão de Hong Kong para a China continental é o único caso semelhante a Macau. Assim, a comparação entre as prioridades britânicas e portuguesas nos seus enclaves e as suas estratégias negociais em relação à RPC ajuda, sem dúvida, a entender o processo de negociação de Macau. O impacto que as conversações sino-britânicas sobre Hong Kong tiveram nas conversações luso-chinesas é, então, analisado. Concluiu-se que um dos principais objetivos de Portugal era assegurar que o acordo com a China não fosse pior que o sino-britânico e que a transferência de Macau só teria lugar depois da de Hong Kong. De facto, a definição da data da transferência da Administração portuguesa foi um dos pontos mais sensíveis das negociações. O Governo chinês defendia uma entrega simultânea de Hong Kong e Macau e impôs o fim do século XX como o limite aceitável para a transferência de Macau. Igualmente problemática foi a questão da futura nacionalidade dos cidadãos de Macau de etnia chinesa e portadores de passaporte português: o Governo português queria atribuir-lhes dupla nacionalidade, mas a Lei da Nacionalidade da República Popular da China não reconhecia este estatuto. Os capítulos finais analisam o chamado período de transição, que decorreu desde a entrada em vigor da Declaração Conjunta Luso-Chinesa, em 1988, até à retrocessão de Macau em 1999. Os estudos de caso analisados foram selecionados de forma a ilustrar o impacto do contexto político nacional na estratégia de Portugal e no desfecho das negociações com a China. A análise incidiu nas questões onde mais interesses chineses e portugueses estavam em jogo, tendo por base as atas das reuniões formais (plenárias) e informais (apenas entre os chefes das delegações) do Grupo de Ligação Conjunto (GLC) Luso-Chinês. Foi no GLC, um 20

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