30 OS CASINOS DE MACAU exploração do jogo, do ópio e outras actividades cresceram rapidamente40 e tornaram-se na espinha dorsal financeira de Macau41. O tráfico de cules também gerou receitas importante até ser finalmente proibido, e alguns dos cules eram jogadores que tiveram de se vender a eles próprios para reembolsar empréstimos para jogo fornecidos por «apanhadores de cules» (coolie catchers)42. 5. Contexto institucional Macau foi governado num sistema de jurisdição mista desde a criação do estabelecimento no século XVI, com o governo português, centrado no Senado da Câmara, disfrutando de elevada autonomia em relação a Goa e a Lisboa43. As autoridades chinesas impunham o pagamento de uma renda e regras detalhadas sobre o comércio e as condições de vida dos portugueses44, que o Senado tendia a aceitar45. Porém, as providências régias de 1783, no quadro de uma política de afirmação da soberania e centralização, 40 O Governador Francisco António Gonçalves Cardoso (g. Fev 1851-Nov 1851) lançou exclusivos sobre o sal e sobre a venda a retalho do ópio cozido. 41 Cfr. Fernando Figueiredo, «Os vectores da economia», in A. H. Oliveira Marques (org.), História dos portugueses no extremo Oriente, vol. 3, Macau e Timor do Antigo Regime à República, Fundação Oriente, Lisboa, 2000, 185 ss. 42 Cfr. Fei Chengkang, Macao 400 years, The Publishing House of Shanghai Academy of Social Sciences, Shanghai, 1996 (trad. de Wang Yintong), 258: «The traffickers [of coolies], rogues and gangsters were all gamble-thirsty, and made gambling a trap to lure the Chinese workers, forcing them to sell themselves when they failed to pay up»; cfr. Beatriz Basto da Silva, Emigração de cules. Dossier Macau 1851-1894, Fundação Oriente, Macau, 1994. Cfr. ainda British parliamentary papers. Correspondence respecting the coolie trade, Measures taken to prevent the fitting out of ships at Hong Kong for the Macao coolie trade, Enclosure no. 1, A correct statement of the wicked practice of decoying and kidnapping, respectfully laid before his Excellency, Cleveland, 1915, 4. 43 Carla Araújo, «Jurisdição mista», in Rui Martins (dir.), Maria Antónia Espadinha (ed. exec.), Leonor Dias de Seabra e António Rodrigues Baptista (coords.), Ditema. Dicionário temático de Macau, vol. III, Universidade de Macau, Macau, 2011, 812 ss. 44 Bento da França, Subsídios para a história de Macau, Imprensa Nacional, Lisboa, 1888, 178 ss; Francisco Gonçalves Pereira, Portugal, a China e a «questão de Macau», Instituto Português do Oriente, Macau, 1995, 24 ss. 45 Jorge Noronha e Silveira, Subsídios para a história do direito constitucional de Macau (1820- -1974), O Direito, Macau, 1991, 14; Francisco Gonçalves Pereira, Portugal, a China e a “questão de Macau” (n. 44), 26; António Vasconcelos de Saldanha, «“Um estabelecimento a refundir e criar de novo”. Macau e a política externa portuguesa na China (1842-1853)» (n. 7), 173 ss.
RkJQdWJsaXNoZXIy MTQ1NDU2Ng==