o percurso da China feudal, fechada em si mesma, para uma China global, onde o sistema de ensino-educação está no epicentro da sua visão transformadora. Segue o viajante para outras dimensões do mundo chinês, muito para além da grandeza filosófica, da cosmologia, estratégia, da ética ou da moral. Porque não pegar em dez palavras e partir para a China profunda, captar-lhe algumas das noções que lhe estão na essência e meditar sobre elas. Fizemos isso, mas também olhámos para a sua matriz civilizacional, apuramos o que mais lhe toca nas profundezas: a terra e a família. Olhar para a China obriga a refletir sobre estas duas realidades, tudo gira a partir deste centro gravitacional, a terra que se pisa, os homens e as mulheres, os novos e os velhos, a sorte e o azar, os ricos e os pobres. Tudo isto aparece retratado na Terra Bendita de Pearl S. Buck, livro sugerido por Jorge Tavares da Silva, que nos obriga a estabelecer um paralelismo entre o passado e o presente. Os sabores da terra são uma das expressões que melhor ligam aqueles que um dia chegaram ao extremo oriental do mundo e aqueles que os receberam. Nas primeiras décadas do século XX, não haveria outra cidade chinesa com tanto charme como Xangai. Agitada por gentes de todo o mundo, comerciantes, aventureiros e bandidos, viveu tempos de excitação e sobressalto, que merece que o viajante se demore a olhar para ela com atenção. Cristina Zhou leva-nos a esse tempo através das palavras de Eileen Chang no seu livro Momentos Curiosos da Vida num Apartamento, que tem o título internacional de Love in a Fallen City, Como escreve a coautora, esta cidade é um eixo onde gravita o "equilíbrio e o desequilíbrio", a calma e os excessos, de difícil incompatibilidade. Mas esta é uma das essências da China, os inevitáveis paradoxos que lhe estão na essência de uma certa normalidade. É uma terra de muitas aventuras, desventuras, emoções e paixões, que escritores como Somerset Maugham tão bem conseguiram retrata匚 Mas também de desespero, sofrimento, serviu de exílio a muitos que precisavam de resolver assuntos da justiça, amores não correspondidos ou, simplesmente, afugentados pelas anomalias da política. Assim aconteceu com Juan Morillo Ganoza, que do Peru entra na Pequim em ebulição dos inícios dos anos 90, cidade de todos os ruídos à procura de uma fuga para o desenvolvimento. As angústia de Umberto Soto, a personagem central de Memória de un Naufragio, livro sugerido por Xulio Rios, dá-nos o mesmo olhar que Ganoza teve sobre a China, uma mistura perfeita entre a ficção e a realidade. Com o mesmo propósito de misturar o real e o imaginado, surge o iivro Trança Feiticeira de Henrique de Senna Fernandes, retratado por Miguel de Senna Fernandes, tão bem como só um filho o sabe fazer. De novo os anos 30, época de múltiplas vivências e convivências, sentidas emoções, desta vez com um olhar entre Macau e a China continental. Tal como no Amor e Dedinhos de Pé, Senna Fernandes envolve-nos com uma história de amor, que serve de base para uma entrada a fundo no universo social e cultural chinês daquela época. 9
RkJQdWJsaXNoZXIy NzM0NzM2