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rudimentar, procurava garantir o perpétuo e constante funcionamento do universo, atribuindo-lhe e fornecendo-lhe força para os seus processos de criação e renovação. Por detrás desses comportamentos, encontrava-se a narrativa mítica. Estritamente ligado aos inícios de um sistema religioso primitivo, o mito foi formulado com o intuito de criar no grupo um estado mental comum ao mesmo tempo que, descrevendo aquilo que ocorreu in illo tempore, possibilitava a evocação de um exemplo anterior que, pelo seu caráter modelar, era tido como merecedor de repetição e solidificação na sociedade como história verdadeira. Num mundo em que o ser humano se sentia perdido, o mito traduzia-se frequentemente como sublimação de tudo aquilo que era constatado como dificilmente entendível. Vários são os exemplos que podem ajudar na ilustração desta afirmação, visto que a génese ou formação do universo, a constituição do mundo e dos seus respetivos fenómenos ou a criação do ser humano se constituem como realidades para as quais foram elaboradas narrativas míticas. Neste sentido, o culto decorrente da crença no mito constitui, como crê Zheng (1989, 10), “uma maneira de definir e regrar a existência [do ser humano] no seu ambiente natural, entendendo-se que o seu nascimento não se deve ao acaso, mas decorre de uma ordem cósmica5, o que “corresponde a uma função previamente definida que contribui para a restauração eterna do cosmos"?. Consequentemente, é essencial considerar a estrutura e o escopo do mito, pois, como visto, este não se afirma somente como comentário ao ritual executado. O mito refere-se ao evento original, justificando o rito. Juntos "constituem a religião e sâo a dinâmica do grupo, porquanto se erigem num corpo de práticas tradicionais com as quais cada membro concorda e se comporta" (Zheng 1989, 10), ou seja, o mito poderá ser uma primeira extensão ou elo da religião primitiva. No caso da civilização chinesa, esta cedo se afirmou como uma das quatro grandes sociedades do mundo antigo, tendo-se desenvolvido, à semelhança das congéneres egípcia, indiana e mesopotâmica, ao longo de um grande curso de água, o Rio Amarelo {Huanghe 黄河),que a influenciou profundamente no que tange ao seu entendimento enquanto unidade étnica. De facto, tido como “rio-mãe" do povo chinês ^muqinghe 母童7可),este curso de água constituiu-se desde logo como local ideal para o florescimento de uma comunidade primeva que, posteriormente, veio a atingir o estádio de sociedade agrícola. Como expectável, ainda que, por exemplo, ao longo da sua história inicial, estas civilizações se tenham governado através de um poder monárquico centralizado, o que se traduziu, efetivamente, num ponto convergente entre si e as mesmas acabaram por manifestar determinadas particularidades, amiúde dissemelhantes, nos seus processos subsequentes de desenvolvimento e evolução ( / Miyamoto 2016). No entanto, a dado período 2 Todas as citações utilizadas no contexto do presente trabalho e que têm uma proveniência em obras escritas em língua estrangeira são citações cuja tradução é da autoria do autor desta obra. (NdA) 14

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