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histórico, em todas elas foi possível identificar, independentemente da intensidade dessas evidências, a urgente necessidade humana em encontrar o seu lugar num mundo dominado por múltiplas irregularidades verificadas no decorrer dos fenómenos, o que, em última instância, justificou a elaboração articulada de mitos que, passados oralmente, sobreviveram à passagem geracional e, atualmente, ainda permanecem vivos nestas comunidades3. 3 Ainda que, nos tempos modernos, a conceção de mito tenha sofrido algumas modificações. (NdA) Uma análise rápida à literatura existente sobre a história chinesa permitirá perceber que, dentro de um quadro temporal extenso, a China vivenciou diversas fases de construção da sua identidade, sendo que os seus primórdios ora se encontram alicerçados na existência de provas factuais relativamente a dadas eras ou períodos, ora se baseiam num primeiro momento dinástico fundado por um grande herói lendário. Ainda que não se revelem congruentes, as fontes permitem incursões a um passado nâo totalmente descoberto. Esse aspeto torna o estudo desta área atrativo, mas, ao mesmo tempo, dúbio, porquanto a apresentação e justificação dos dados disponíveis poderão ser completamente diferentes de investigação para investigação. O mito é, então, um reflexo da estrutura social, sendo coadjuvado pelo rito, que demonstra uma indicação significativa dos antigos modos de pensar e agir, neste caso, chineses. Outrossim, parece ser essencial entender as narrativas míticas que rodeiam o povo chinês para compreender uma série de características que, ainda hoje, continuam vivas na sua consciência coletiva. Por exemplo, os chineses veem-se como os legítimos descendentes do dragão {longde chuanren 龙的传人),conceito ou ideia que terá surgido como consequência de uma veneração totémica que, embora inicialmente verificada no norte do país, ultrapassou as barreiras físicas do Rio Amarelo e transformou-se numa crença solene para toda a civilização chinesa (" Xiang 2017). Aliás, como se verá adiante nas narrativas dos pais civilizacionais, a sua descrição como possuindo características dragontinas releva este aspeto, justificando uma vez mais essa descendência. Por outras palavras, a correlação entre mito e rito adveio do conjunto de manifestações religiosas cujos componentes propunham uma forma de pensar baseada e fundada na observação do mundo. O antigo povo chinês encontrava­ -se fortemente ligado à ideia de Céu {Tian 天),perspetivando-o como marca de perfeição e organização. Assim, desejoso por atingir tais ideais, buscou plasmar a ordem e a união do firmamento no ambiente em seu redor, o que influenciou, consequentemente, os seus comportamentos e valores e originou uma série de dúvidas, especulações ou questões sobre a própria ordenação celestial. À vista disto, foi-se formulando um certo código simbólico no qual se deveria conceber o universo como organismo vivo que, para manter o seu normal funcionamento, necessitava 15

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