de vivenciar dados ciclos, se assim for permitido afirmar, onde pudesse passar por fases de nascimento, crença, declínio, morte e regeneração. Uma outra investigação à história chinesa permitirá também identificar que a ordem ou sucessão dinástica funcionou exatamente da mesma forma, pois, como afirmado, era imagem refletida da ordem universal. É neste ponto em específico que principalmente o rito ganha a sua importância, porque, estabelecendo uma certa estrutura comportamental de acordo com as regras inalteráveis e universais da natureza, possibilitou igualmente que o ser humano manifestasse o seu esforço em se adaptar aos diferentes períodos do ciclo universal, isto é, permitia-lhe uma harmonia com a ordem natural. Neste âmbito, Zheng (1989, 21) considera que Os ritos nâo sâo regras estabelecidas arbitrariamente ou a esmo, mas são baseadas na observação cuidadosa e sistemática do universo. Os ritos representam regulamentos ditados pela natureza, cada um dos quais coerente e oportuno. A sua função é moldar o ser humano no universo, atribuindo-lhe um lugar muito preciso e fixando as distâncias que ele deve cumprir com os outros componentes. Os ritos são o segredo da harmonia universal. Assim, a responsabilidade por cataclismos e infortúnios humanos cabe exclusivamente ao homem que falhou na sua missão. Assim sendo, embora nâo seja certamente caso único a nível global, os primórdios das sociedade e cultura chinesas afiguram-se bastante interessantes, pois propalam uma visão muito própria do estado de mente de um povo que apresenta longos anos de existência. Neste aspeto, de uma perspetiva ocidental, a China afirma-se como o outro grande centro da experiência humana, dado que, como Leys (1991, 60 - 61) conjetura, Todas as outras grandes civilizações estão mortas (Egito, Mesopotâmia, América pré-colombiana), encontram-se exclusivamente absorvidas por problemas de sobrevivência em condições extremas (culturas primitivas) ou estão muito próximas a nós (culturas islâmicas, índia) para poder oferecer um contraste total, uma alte- ridade igualmente completa, uma originalidade tâo radical e esclarecedora quanto a China. Somente quando consideramos a China, podemos finalmente medir mais exatamente a nossa própria identidade e começar a perceber o quanto da nossa herança pertence à humanidade universal e qual parte reflete apenas simples idiossincrasias indo-europeias. A China é esse Outro fundamental sem o encontro do qual o Ocidente nâo se pode tornar verdadeiramente consciente dos contornos e limites do seu Eu cultural. Tendo estas variegadas considerações em mente, a presente monografia toma como objeto de estudo os mitos chineses de origem. Ambiciona-se com este 16
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