trabalho, pois, nâo somente alcançar uma compreensão mais abrangente da cosmovisâo, da mundividência e da mundivivência chinesas, mas também um aprofundamento na inteligibilidade do “poder do mito”,em particular do modo como este se liga à psique humana e, ao mesmo tempo, revela aspetos essenciais da mesma. Os resultados apresentados resultam de uma pesquisa impulsionada, desde logo, pela constatação de uma insuficiência ou de uma lacuna na área do saber em que se encontra inscrita, na qual, efetivamente, se verifica uma escassa abordagem no meio académico e na comunidade científica portugueses. Tal facto poderá porventura relevar do parco estudo que, no contexto nacional, tem sido devotado à mitologia chinesa em geral, quiçá mesmo à cultura chinesa nas suas múltiplas expressões. Por um lado, tais circunstâncias encorajam a enfrentar águas desconhecidas e a desbravar novos caminhos e> por outro, exigem uma responsabilidade acrescida na medida em que se traçará uma rota que, num futuro, servirá talvez como via para novas investigações. Esta constatação, embora motivo necessário, nâo foi suficiente para encetar a pesquisa cujos resultados são aqui expostos. No âmbito da exploração e compreensão dos mistérios chineses, destaca-se o trabalho desenvolvido pelo Departamento de Estudos Asiáticos (DEA) da Universidade do Minho (UMinho) que, desde a sua criação, tem conseguido ultrapassar nâo só diversos obstáculos linguísticos e culturais, como também inúmeros desafios que relevam de uma preponderância de estereótipos acerca da sociedade chinesa para, em consequência, apresentar múltiplas diligências no que se refere à elaboração de estudos e análises sobre a China em muitas das suas facetas, auxiliando na criação de um acervo rico concernente a um outro desconhecido e, por vezes, temido. A sua perspetiva tem, assim, contribuído fortemente para a fomentaçâo de uma academia mais inclusiva e completa. A monografia aqui apresentada enquadra-se, por conseguinte, na linha de pensamento e de trabalho da mencionada unidade, assumindo-se como uma contribuição para o fortalecimento das relações luso-chinesas, visto que se trata, sobretudo, de uma tentativa de investigar os primórdios das civilizações como pontos altamente criativos e convergentes da mente humana. Encontra-se aqui, porventura, o motivo que mais decisivamente determinou a realização deste trabalho: a relevância epistémica do entendimento da diversidade de práticas e da riqueza do discurso cultural associados aos mitos de origem. Este desígnio, vale acrescentar, já havia tido o seu embrião num trabalho publicado com o título A Cosmogonia Chinesa numa Visão Comparada. Destarte, a redação de 'A Gramática Universal do Mito: Análise Comparativa e Contrastiva de Mitos Chineses de OrigemM adequa-se à perspetiva holística que se tem vindo a defender na área dos Estudos Asiáticos. A escolha e importância do tema encontram-se conectadas à necessidade contínua em manter e estreitar laços de compreensão e aproximação entre culturas, qualquer que seja o campo 17
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