a percorrer. Neste seguimento, no âmbito desta obra, como já levemente desvendado, afigura-se essencial considerar que a formulação de ideias ou pensamentos sobre as origens é característica universal dos seres humanos, conquanto, por apresentarem enredos distintos ou se manifestarem através de diferentes prismas, sejam ainda vistos como elementos díspares e desassociados. Existem, efetivamente, diferenças no que diz respeito ao ambiente físico e metafísico que rodeia os povos em geral, o que, em última instância, se traduz como um frequente e certo afastamento neste tipo de elaborações. Tòdavia, dado que se afirmam como componentes essenciais ao entendimento do funcionamento mais básico do mundo, os mitos de origem tendem, na sua totalidade, a partilhar uma base comum, isto é, uma espécie de gramática universal a partir da qual se desenvolvem. Essa dita gramática é inevidente e releva possivelmente de uma primordialidade presente na mente do ser humano como um todo, permitindo-lhe uma conexão global que, embora nâo negue a sua individualidade e diversidade, se constitui como rede ou pano de fundo coletivamente acessível. Tendo esta possibilidade em conta, pretende-se analisar e interpretar cuidada e criticamente um conjunto selecionado de mitos chineses de origem e identificar, nas suas estruturas, mediante comparações com outras narrativas do género, uma série de pormenores reveladora nâo só de eventuais contactos e trocas culturais entre povos, como também, e talvez sobretudo, de resquícios de um pensamento uno humano. Dito de outra forma, apresentando como desiderato final a construção de uma ponte comunicacional entre China e Ocidente/Portugal de forma a quebrar barreiras e promover diálogos conscientes entre culturas com características muito específicas, a investigação aqui elaborada terá igualmente como objetivo a identificação, no conjunto das perceções humanas, da necessidade constante do eterno regresso às origens. Neste contexto, as diligências realizadas buscam do mesmo modo responder à referida necessidade de maior e melhor entendimento de aspetos estruturantes da cultura chinesa e da sua influência até à atualidade, como é certamente a narrativa mítica. Consequentemente, aspira compreender aspetos da complexa mentalidade e sociedade chinesas, tendo em conta os seus modos de sentir e agir, já que serão também tidas em conta as principais correntes filosófico-religiosas que, historicamente, contribuíram para o estabelecimento de uma cultura mais coesa. Nesta sequência, em termos metodológicos, o corpus bibliográfico mobilizado para esta obra provém de domínios do saber diversos, como, a título de exemplo, a sociologia, psicologia, teologia, antropologia e paleontologia. Os recursos escolhidos remetem para autores com diferentes backgrounds académicos, oriundos de geografias e línguas distintas e com propostas de interpretação das origens complementares. No entanto, os conteúdos expostos e analisados nâo serão abordados de forma meramente enumerativa, porquanto se intentará incutir uma perspetiva 18
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