heurística, mas sobretudo hermenêutica, das narrativas míticas em escrutínio. Destarte, o olhar dedicado a este texto nâo se submeterá única e exclusivamente a leituras comparadas confinadas a um determinado quadro ou padrão histórico -cultural, sendo que, na esfera das sociedade e cultura chinesas, se considerará os simbolismos inerentes e as origens etimológicas das palavras propaladas, posto que a língua chinesa apresenta um léxico extremamente rico e variado que quase sempre implica a imprescindibilidade de elaboração de comentários e interpretações à forma como esta é utilizada ou como determinados vocábulos sâo empregues em dado excerto ou contexto. Como narrativas, os mitos chineses encontram-se impregnados com tais subtilezas linguísticas. Assim sendo, o trabalho encontra-se estruturado em cinco capítulos, nâo apresentando necessariamente uma mesma dimensão, mas, com toda a certeza, igualmente relevantes, que buscam, através de um movimento inicialmente calmo e posteriormente mais ritmado, introduzir as várias vertentes analisadas neste estudo. No primeiro capítulo, “O Imaginário Humano através do Mito", indaga-se o pensamento mítico, tendo em vista fornecer de forma equilibrada uma reflexão dupla sobre o conceito, dado que a presente monografia é elaborada contemplando duas vertentes, ocidental e chinesa. Torna-se necessário que a análise do tema proposto tenha igualmente em atenção as principais linhas de pensamento veiculadas por cada uma destas dimensões. Ademais, a pesquisa versa também sobre a contemporaneidade do mito e as suas funçóes modernas, procurando igualmente fornecer uma linha de distinção entre este conceito e o de lenda, conto ou fabula. Em todo o caso, a investigação deste ponto em concreto nâo termina neste elen- car de ponderações, posto que sâo as suas influências na modernidade que mais interessarão na discussão da temática. Com efeito, independentemente da cultura onde se insira, o ser humano sempre sentiu, e sentirá, a necessidade de regressar ao papel primordial do mito, a reinvençâo do passado no presente, para acalmar as suas preocupações mundanas. Com o avançar da ciência, contudo, a capacidade criativa ou inventiva do mito foi sendo naturalmente substituída por explicações concretas e concisas da realidade. Ainda assim, tal nâo é impeditivo de que alguns resquícios dessa mentalidade talvez mais arcaica nâo se mantenham no inconsciente humano. Por conseguinte, nos capítulos seguintes, intitulados 'A Coletividade do Pensamento Humano" e “Mimetismo e Violência no Pensamento Humano” respetivamente, sâo abordadas as teorias de Cari Jung e René Girard. Ambos postulam perspetivas diferenciadas sobre a influência do mito nas sociedades atuais, crendo que, como este faz parte de um grande inventário mental do ser humano, por mais instituições ou convenções criadas para organizar ou ordenar o seu comportamento, haverá inevitavelmente um regresso ao tempo primordial, embora porventura nem sempre nos termos originais. Através destes capítulos, lançam-se duas bases importantes para a interpretação dos mitos dentro de uma perspetiva 19
RkJQdWJsaXNoZXIy NzM0NzM2