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humana universal: os arquétipos e a violência mimética presentes a um nível global de narrativas míticas. O quarto capítulo, wIntroduçâo ao Pensamento Clássico Chinês", introduz, como o próprio nome indica, de forma breve e sucinta o pensamento clássico chinês tendo como base as três grandes vertentes filosófico-religiosas que o influenciaram a nível histórico, designadamente Confucionismo, laoismo e Budismo. A estas três dimensões, juntou-se uma outra, aquela relacionada a um conjunto de crenças, costumes, práticas e superstições populares pré-existentes a estes pensamentos. A unidade resultante da combinação destes quatro fatores ajuda na explicitação da mentalidade tradicional chinesa e no entendimento global das narrativas míticas sínicas. O culto aos antepassados, por exemplo, é evidente nos comportamentos atuais do povo chinês, sendo que, no contexto dos mitos, dos seus heróis e dos grandes feitos destes, a reverência por tais figuras é plasmada em certos festivais que ainda hoje subsistem na sociedade, ideia que é mais bem explorada na parte final do último capítulo. Em todo o caso, antes de se prosseguir para as narrativas propriamente ditas, surge ainda a necessidade de analisar e caracterizar o sistema mitológico chinês, visto que este apresenta certas particularidades muito específicas ao contexto histórico, social e cultural do território em análise. Neste sentido, revela-se, por um lado, a importância de traçar uma pequena cronologia do estudo da mitologia chinesa, identificando e retratando as atitudes em geral perante esta área do saber. Por outro, o reconhecimento de dadas características dos textos existentes, como a fragmentação das fontes, nâo se verificando a sobrevivência de uma só obra completamente dedicada à mitologia, ou a historicizaçâo dos episódios míticos, atitude advinda da profunda influência que Confucio e os seus discípulos exerceram no antigo pensamento chinês, permitem uma abordagem mais atenta, cuidadosa e, acima de tudo, globalizante. Por fim, no último capítulo do trabalho, “Narrativas Míticas Comparadas: Aproximações e Afastamentos entre China e OcidenteM, o contributo prestado centra-se sobretudo nos pontos de contacto existentes entre múltiplas narrativas com diferentes origens geográficas. Num primeiro momento, analisa-se a génese do mundo, através da figura de Pangu (盘古),tido como pai criador do universo. Para além da mitografia em torno da temática em si, porquanto a narrativa de Pangu nâo é, efetivamente, a única proposta chinesa para a formação do universo organizado, o estudo desta figura revela a sua importância quando perspetivada através da teoria do desejo mimético e do bode expiatório preconizada por Girard. O autor francês não parece ter feito uso da mitologia chinesa para comprovar os seus argumentos, porém a sua linha de pensamento é aplicável, em diversos graus, a esta narrativa chinesa. Por isso, Pangu nâo só é pai do universo chinês, como também pode ser considerado como figura espelhada, e vítima, de uma triangulação mimética. Em seguida, surge a criação do ser humano por Nüwa (女蜗)e Fuxi (伏羲),os pais da 20

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