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de circunstâncias temporais e espaciais. O critério de distinção entre duas línguas é de estas serem ou nâo mutuamente inteligíveis quando os intervenientes não têm qualquer instrução ou talvez exposição constante face a uma outra língua. Muitas vezes, porém, as fronteiras da nação são frequentemente tomadas também como fronteiras linguísticas. Na China, considera-se que se fala "chin6s”,embora muitos “diakctos" chineses sejam completamente ininteligíveis entre si, como o são o mandarim e o cantonês, que, obviamente, constituem provavelmente os dois ítdialectos,> mais conhecidos pelo público-geral. Mais mutuamente inteligíveis são o português e o espanhol,3 se bem que, possivelmente devido à já relativa antiguidade da separação política das nações de Portugal e de Espanha, estas sejam consideradas línguas diferentes. Outros exemplos histórica, cultural e linguisticamente próximos a Macau seriam os do malaio e do indonésio, duas línguas independentes associadas aos respectivos estados-naçâo, mas inteligíveis entre si. Em suma, a definição de termos como “língua" ou <<dialectow encontra-se emocionalmente associada a questões de identidade e de política, o que torna a sua classificação "cierHÍfkíT mais ambígua. 3 Refiro-me ao castelhano, galego, catalão e talvez ainda ao occitano aranês, asturo-leonês e aragonês. A precisão também poderia ser aplicada ao 'português* e possivelmente a qualquer língua nacional que se considere homogénea. Em Portugal, falam-se também outras línguas e dialectos com diferentes níveis de reconhecimento oficial, estando o mirandês. o barranquenho, o minderico e o calo entre os mais conhecidos. Ver https://observalinguaportuguesa.org/o-ethnologue-encontra-dez- -linguas-em-portugal/ (acedido a 17/6/2022). 4 Para uma discussão relativa ao trabalho de investigação de Batalha e o 'colonialismo tardio", ver Pires e Nunes (2017). Esta discussão verifica-se também num plano temporal. Em 1977, pouco depois da Guerra Colonial Portuguesa (1961-1974) e da Revolução dos Cravos (1974), a linguista Graciete Nogueira Batalha (1988, primeiramente publicado em 1977) publicou o seu Glossário do dialecto macaense', notas linguísticas, etnográficas, e folclóricas. O uso do termo dialecto parece indicar que o crioulo de Macau não é uma “língua” e que este será apenas uma variedade da língua portuguesa. O uso de termos como Ketnográficasw e í<folclórÍcasM indicia também alguma marginalidade, uma vez que tais termos se costumam referir a fenómenos periféricos e não centrais. A definição de Batalha surge ainda associada a um pensamento colonialista e saudosista segundo o qual Macau e a sua cultura surgem como uma “subespécie" periférica e popular da cultura portuguesa central e urbana.4 De qualquer modo, a atitude de Graciete Batalha é mais “moderna" e aceitadora da diferença do que, por exemplo, a do sinólogo Manuel da Silva Mendes (1867-1931) (apud Gaiâo, 2010: 29), que defendia que o crioulo de Macau nem sequer era um dialecto, mas somente um "português estragado pelo contacto com a língua chinesa”. Em 2001, quando o advogado e linguista macaense Miguel de Senna Fernandes e o linguista australiano Norman Alan Norman Baxter (2004, primeiramente 14

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