publicado em 2001) publicaram Maquista Chapado: Vocabulário e Expressões do Crioulo Português de Macau, chamaram ao seu objecto de estudo “Crioulo Português de Macau*. Hoje em dia, “crioulo" é um termo com uma conotação mais positiva do que “dialecio”. No entanto, a relação com Portugal ainda está presente, visto que se define claramente que este crioulo é “português”,embora neste caso o uso deste adjectivo não possua qualquer conotação colonialista. A mais recente tentativa de dicionarizar o crioulo é o Dicionário do Crioulo de Macau: Escrita de Adé em Patua^ do linguista Raul Leal Gaião (2019). Neste caso, o objecto de estudo é simplesmente chamado de Kcrioulo de MacauM. A referência a Portugal desapareceu, tornando assim o crioulo, nâo simplesmente um legado da cultura portuguesa, mas unicamente um legado da cultura macaense. O outro termo, patuá, que se refere especificamente a este crioulo, era no tempo colonial um termo pejorativo. Ao contrário do termo “dialecto”,este passou a ter uma conotação positiva. Embora hoje em dia a avaliação do crioulo de Macau seja mais positiva do que no passado e este não seja apenas visto como uma variedade defectiva do português normativo, seria insensato supor-se que este constitui uma língua completamente independente do português e de outras línguas de contacto. A definição crioulo significa que, gramaticalmente, a língua em questão partilha uma série de semelhanças estruturais com outras línguas de contacto que surgiram principalmente em contexto colonial. Por sua vez, base lexical portuguesa^ significa que grande parte do léxico deste crioulo provém da língua portuguesa. A existência de vocabulário de outras línguas europeias e asiáticas, de arcaísmos e regionalismos portugueses e de estruturas gramaticais diferentes das do português padrão não significam que, na maioria dos casos, o crioulo de Macau seja ininteligível para falantes de português normativo. Embora, devido à dificuldade em se ensinar a norma do português, o crioulo de Macau renha perdurado durante séculos, a implantação de políticas de educação, as diferentes influências linguísticas e, mais recentemente, o desenvolvimento das tecnologias de informação e de comunicação fizeram com que o crioulo acabasse por, em diferentes momentos, ser substituído por línguas como o português, o cantonês ou o inglês. Porém, a etnia macaense perdurou e existe ainda. Esta já nâo utiliza o crioulo com o mesmo vigor do passado, mas este subsiste como um forte elemento de formação identitária. Se no período colonial a comunidade macaense era uma comunidade subalterna subordinada às pretensões hegemónicas portuguesas, no período pós-colonial tornou-se numa comunidade independente de pleno direito. Na China» tem-se verificado a uma política dupla e ambígua de 5 Termos sublinhados ao longo de todo o texto têm uma entrada no Apêndice I. 15
RkJQdWJsaXNoZXIy NzM0NzM2