homogeneização e valorização das minorias.6 Por um lado, o estado chinês reconhece 55 minorias étnicas e reserva-lhes várias benesses a nível social. Segundo esta lógica de diferenças culturais, minorias que são consideradas como constituindo apenas um grupo poderiam também ser divididas em grupos mais pequenos. Este sistema classificativo parte principalmente de uma diferenciação cultural entre o grupo étnico maioritário (HàQ e os grupos minoritários. Por outro lado, o facto de o estado chinês ser fortemente centralizado e apostar no aliciamento económico como instrumento dessa centralização tem conduzido a uma política de homogeneização cultural e de apropriação de fenómenos culturais minoritários como parte integrante da cultura da maioria. Tais políticas têm o propósito duplo de se criar um sentido de nação e de silenciar possíveis vozes de oposição à construção desse sentido. 6 Ver HEBERER, Thomas (1989), China andIts NationalMinorities: Autonomy or AssimiUtion^ Londres: Routledge; MACKERRAS, Colin (2003), Chinas Ethnic Minorities and Globalisation, Londres: Routledge; GLADNEY, Dru C. (2004), Dislocating China: Reflections on Muslims, Minorities, and Other Subaltern Subjects, Hong Kong: C. Hurst & Co.; BHALLA, A. S & LUO, Dan (2013), Poverty and Exclusion of Minorities in China and índia, Cham: Palgrave MacMillan; LI, Xlaobing e SHAN, Patrick Fuliang (2015), Ethnic China: Identi» Assimilation and Resistance, Lanham: Lexing- ton Books. 7 https://plataformamedia.com/2022/03/09/lok-po-quer-melhor-integracao-dos-macaenses-na- -nacao-chinesa/ (acedido a 6/11/2022). 8 https://www.plataformamedia.com/2022/03/10/comunidade-macaense-sempre-fez-parte-da- -nacao-chinesa/ (acedido a 6/11/2022). Macau encontra-se neste momento numa fase de transição política e cultural de afastamento relativamente a Portugal e integração na China. Porém, a comunidade macaense nâo é reconhecida como uma das 55 minorias da China, apesar de esta ser culturalmente distinta dos Hàn e de qualquer outra minoria étnica. Em 2022, Lok Po, director do jornal Ou Mun (nome cantonês de Macau, 澳『另 Ou^mun2) e representante de Macau na Assembleia Popular Nacional em Pequim, defendeu uma melhor integração da comunidade macaense na wfa.mí- lia da nação chinesa". Tal significa que, idealmente, a comunidade deveria ser considerada tão distinta como semelhante a outros grupos étnicos chineses.7 Em resposta a Lok Po, Miguel de Senna Fernandes considerou que, enquanto a comunidade macaense é claramente distinta de qualquer outra com a qual tenha mantido ou mantenha contacto, esta sempre fez parte da nação chinesa, motivo pelo qual nâo deve ser considerada uma minoria oficial.8 Tanto Lok Po como Miguel de Senna Fernandes concordam no argumento mais profundo e discordam no mais superficial, que é aquele que tem maiores implicações políticas. Deste modo, apesar de existir uma “narrativa" homogénea do que constitui o passado e o presente da comunidade macaense, existem diferentes discursos relativamente ao seu futuro. 16
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