não-universitárias para o estudo da Ásia em Portugal, ou a Fundação Casa de Macau (FCM),13 que frequentemente organiza eventos de pendor cultural e académico relacionados com a cultura macaense, principalmente na sua relação com Portugal, lais eventos são amiúde frequentados por membros da diáspora macaense, que procuram assim reavivar psicologicamente e fisicamente a memória da sua terra-natal, e por outros interessados, tal como cidadãos portugueses que residiram em Macau antes ou depois da criação da R.A.E.M, ou de pessoas que, como o autor deste texto, estudam fenómenos histórico-culturais relacionados com Macau, Portugal, a China e a Ásia.14 13 https://www.fundacaocasamacau.pt/ (acedido a 4/3/2022) 14 No que toca a instituições sediadas em Macau, refira-se o Instituto Internacional de Macau (IIC), instituição também deveras activa nos panoramas académico e cultural, não só em Macau, mas também em Portugal, no Brasil, em Moçambique, nos Estados Unidos, no Canadá e na Austrália. Ver https://iimacau.org.mo/ (acedido a 4/3/2022). 15 https://www.cccm.gov.pt/cursos/oficina-da-lingua-patua/ (acedido a 30/5/2022). Recentemente, em 2022, o CCCM iniciou uma “Oficina da Língua Patuá” coordenada por Ana Cristina Alves e leccionada por Joaquim Ng Pereira. Como revela a breve descrição do curso,15 este tem como base os textos de José do$ Santos Ferreira e de Miguel de Senna Fernandes. Numa apresentação pública que fez ao curso, o docente revelou que (ao contrário da abordagem adoptada por este texto, mais académica e interpretativa) a sua abordagem seria “sensoriaT. O seu objectivo passaria por encenar, pela primeira vez em Portugal, peças em crioulo de Macau, proporcionando deste modo aos alunos a experiência de “semir” a língua e o que esta representa cukuralmente. Por outras palavras, o que Joaquim Ng Pereira pretenderia era mostrar e cimentar o crioulo de Macau, nâo como a língua morta ou em vias de extinção, mas como uma língua viva e com uma marcada existência física, cultural e afectiva. Em suma, por um lado, o crioulo de Macau é uma língua-morta que sobrevive apenas nos dicionários e glossários redigidos e consultados por académicos. Hoje em dia, nem uma mãe macaense conversará com o filho nem um vendedor macaense negociará preços com clientes em crioulo. Por outro lado, o crioulo de Macau é uma língua viva que pode ser sensorialmente experienciada, não apenas pelos macaenses que vivem dentro e fora de Macau, pelos próprios portugueses, e, como demonstrarei em relação às obras fictícias mais recentes de Miguel de Senna Fernandes, por qualquer turista chinês ou estrangeiro. Dito de outro modo, o crioulo de Macau é um ítmorto-vivo),. E tal nâo me parece constituir um problema. Apesar de em linguística se fazer a distinção entre línguas ^naturais** e línguas ^anificiais' e, mais uma vez, o adjectivo “naiuraT ter uma forte carga positiva e o tíartificial>, uma carga pejorativa oposta, a verdade é que as fronteiras entre ambas são ambíguas. O nacionalismo fez com que línguas “naturais” se transformassem e 19
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