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Se, por um lado, a China possui um acervo literário com meritória divulgação internacional, começam também a existir circunstâncias favoráveis da parte portuguesa em acolher essa produção. O estudo da língua e cultura chinesas já deixou de gerar o efeito exótico de outrora, sendo que actualmente são várias as instituições de ensino superior que oferecem currículos integralmente dedicados ao país do meio, já para não mencionar a inclusão do chinês como língua optativa em várias escolas do ensino secundário. Os programas curriculares dedicados à língua e cultura chinesas, que, têm especial peso no tema que aqui nos une, já contam com um historial relevante. Por exemplo, a licenciatura de quatro anos focada em língua chinesa e tradução do Instituto Politécnico de Leiria, estabelecida desde 2006 em cooperação e intercâmbio com o Instituto Universitário de Macau e a Universidade de Línguas e Culturas de Pequim, tem vindo a formar uma massa significativa de tradutores e agentes que trabalham directamente com a língua chinesa (a minha vida profissional nasceu desta investida académica, pela qual ficarei eternamente grata). A Universidade do Minho lançou em 2004 a licenciatura em Estudos Orientais: Estudos Chineses e Japoneses, que foi complementada quatro anos depois com o mestrado em Estudos Interculturais, o que propicia percursos qualificados para lidar com os desafios literários e interculturais. Por sua vez, a Universidade de Lisboa tem na sua oferta académica uma licenciatura e mestrado em Estudos Asiáticos, que oferece uma base sólida para um aprofundamento da língua e cultura chinesas, assim como licenciatura e mestrado em Tradução, cujas línguas de trabalho prevêem o chinês. Destaco ainda o trabalho do Centro Científico e Cultural de Macau, que oferece um constante leque de formações e cursos livres e que pode ser um útil ponto de partida para uma especialização em estudos chineses. Sem querer ignorar o trabalho de outras instituições que abordam seriamente coisas da China, destaco aqui apenas as que me parecem apontar numa perspectiva de especialidade mais contígua aos estudos literários e à tradução. A aposta nestes percursos académicos começa lentamente a mostrar resultados no campo da literatura contemporânea traduzida directamente do chinês. Nos últimos anos, surgiram nas nossas bancas várias obras de Yu Hua (Crónicas de um Vendedor de Sangue, 2017; Viver, 2018; China em Dez Palavras, 2018) e de Yan Lianke (4s Crónicas de Explosão, 2021), todas estas através do prolífero trabalho do tradutor Tiago Nabais e com apoio da editora Relógio D'Agua; mais recentemente, a extensa trilogia de ficção científica O Problema 11

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