aos anos de 1619, 1620, 1621, 1622, 1624, 1625, 1626, 1627, 1628, 1629, 1630, 1631, 1634 e 1635, cujos originais se conservam nos ARSI, e das quais onze se encontram redigidas em português e três em latim, distribuindo-se a sua autoria pelos seguintes sacerdotes inacianos: 10 de Gaspar Luís, duas das quais em latim; 2 de Joâo Rodrigues Girâo; 1 de Pedro Marques e outra do italiano Girolamo Maiorica, esta em latim; b) dois apêndices, de que o primeiro é um texto de Gaspar Luís, com queixas contra o padre Francesco Buzomi, que, conforme o manuscrito, é aparte de üa carta que o padre Gaspar Luís, superior da missão de Cochinchina, escreveu ao padre André Palmeiro, Visitador de Japão e China”; sendo o outro uma a Relação de üa perseguição que teve a cristandade de Cochinchina nos anos de 1625 e 1626”,escrito na primeira parte deste ano e sem nome de autor nas duas cópias originais existentes no ARSI, embora, como mais à frente se dirá, nâo ofereça qualquer dúvida pertencer a sua autoria ao bem conhecido padre Alexandre de Rhodes. As Cartas ânuas que irão ler-se inserem-se num impulso de valorização, por parte da Província jesuítica do Japão, da recentemente criada missão na Cochinchina, principiada em 1615, e mediante a qual, juntamente com outras açóes, os dirigentes inacianos procuraram de alguma maneira reorganizar a atividade missionária no Extremo Oriente após a expulsão decretada contra os seus missionários no Japão, que significou um brutal golpe nas estratégias e investimentos de toda a sorte realizados, com tão promissores auspícios, no Império do Sol Nascente.6 O esforço de promoção da missão da Cochinchina foi predominantemente incumbido a Gaspar Luís, que durante um período ininterrupto de catorze anos se manteve corajosamente naquela região e foi sacerdote dotado de evidentes qualidades literárias, sobretudo como eminente latinista, além de saboroso prosador em língua portuguesa, do que estas cartas dâo sobeja prova, no retrato vívido e por vezes dramático que traça de uma realidade humana e cultural que os escritores acanónicos>5, que de leve versaram a presença portuguesa naquelas paragens, praticamente relegaram ao silêncio. 6 As seguintes palavras de Pierre Chaunu parecem-nos uma boa síntese da importância que se revestiu para os portugueses em geral, tanto missionários como comerciantes, a proibição da presença de estrangeiros no Japão: “La ligne Macao-Nagasaki est définitivement brisée, en 1637, du fait du Japon. // Les circuits portugais dans la Mer de Chine ne se relèveront jamais de ce coup mortel. Un morceau d'Empire portugais, le plus tardi£ le plus aventuré aussi, s' effondre alors après 80 ans d' une existence souvent hé^oíque.^^ Pierre Chaunu, “Manille et Macao face à la conjoncture des XVIe et XVIIe siècles,n Annales. Economies, sociétés, civilisations, 17e année, no. 3 (1962): 561. Assim, pensamos que a publicação destas cartas ânuas também contribuirá para um melhor conhecimento, nâo apenas das estratégias de territorializaçâo da Companhia de Jesus, gizadas a partir de Macau, mas igualmente dos desafios constantes que efetivamente se colocavam aos jesuítas que foram destinados para esta região do atual 10
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