9789728586621

atividade científica, sobretudo como bem conceituado astrónomo e matemático, vocação que brilhantemente se documenta na primeira parte deste livrinho, onde os seus dotes de observação dos fenómenos celestes e da fauna e flora vietnamitas se revelam de modo conspícuo. A sua permanência de um pouco mais de dois anos na missão da Cochinchina deu-lhe, além da possibilidade de se entregar às observações astronómicas, de que encontraremos referência na ânua relativa a 1620, o contato direto com uma realidade humana nova, que procurou dar a conhecer através do seu livrinho escrito na sua língua materna. O alentejano António Francisco Cardim16 escreveu um livro, a que deu o título belicoso de Batalhas da Companhia de Jesus na sua gloriosa província do Japão、que permaneceu inédito até 1894, ano em que Luciano Cordeiro, com algumas imperfeições na transcrição, sobretudo das datas, o publicou em Lisboa, na Imprensa Nacional, destinando-o à 10a sessão do Congresso Internacional dos Orientalistas. Na dedicatória dirigida ao rei D. Joâo IM o Autor revela as circunstâncias de tempo e motivos que o moveram a escrever aquela obra: “Chegando a esta cidade de Goa por fim de maio de 1650, lancei mão das ânuas da província de Japão para aliviar os trabalhos de viagens tâo compridas." Nas partes do seu livro consagradas ao atual Vietname, o Autor mostra-se muito mais bem informado sobre a região então chamada Tonquim do que sobre a Cochinchina, como aliás seria de esperar da parte de alguém cuja atividade missionária naquelas paragens decorreu na parte central e setentrional do território anamita, a mais vasta e próspera desta nação. arquivos jesuíticos, razão pela qual deverão ser ponto de partida para o conhecimento sólido e sério da vida missionária de todos os inacianos citados no nosso livro* 16 De família fidalga, nasceu em Viana do Alentejo, e ingressou na Companhia de Jesus em 24 de fevereiro de 1611, em Évora. Foi enviado para Goa em 1618 e aqui concluiu os seus estudos filosóficos e rezou a primeira missa. A partir de 1623 passa a integrar a Província do Japão, no colégio de Macau, de onde é enviado a missionar, durante alguns anos, nos reinos do Sudeste Asiático de Ibnquim e Siào. Entre 1632 e 1638 é reitor do colégio de Macau e, nos inícios do ano seguinte, parte para Roma como procurador da Província do Japão. Regressa ao oriente em 1649 e, entre 1652 e 1655, é prisioneiro dos holandeses na ilha de Ceilão. Morreu no colégio da Macau da Companhia a 30 de abril de 1659, 17 E vasta a bibliografia relativa à vida e obra deste ilustre missionário. Limitar-nos-emos a referir as datas mais importantes da sua biografia. Viu a luz da vida em Avinhão, enclave sob soberania papal à data do seu nascimento, no ano de 1593. Em 1612, entrou em Roma na Companhia de Jesus, embarcando para o oriente em 1619, em Lisboa. De Macau, onde chegou, vindo de Goa, em 1623, foi enviado, no ano seguinte de 1624, para a missão da Cochinchina, onde fica até aos começos de Alexandre de Rhodes, de todos os Autores e missionários jesuítas citados neste livro, é sem dúvida aquele ao qual a esquiva e muitas vezes injusta Fama aureolou com mais perenes e lustrosos louros, que em parte lhe são devidos, mas em percentagem maior resultam de um conjunto de circunstâncias com que foi fovoneado pelo destino, a primeira das quais foi a de a França dos séculos xix e xx, colonizadora da Indochina, o considerar como francês.17 Depois do seu regresso 20

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