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na língua cochinchina; mas os portugueses, que começaram a mercadejar em Anam graças à mediação dos japoneses, com o mesmo vocábulo japonês Coei e esta outra palavra China formaram este terceiro nome Cochinchina, adaptando-o a este reino, como se dissessem “Cochim da China”,por forma a diferençá-la mais claramente de Cochim, cidade da índia habitada pelos mesmos portugueses.,,2° Por sua vez Alexandre de Rhodes, cujo conhecimento da terra, língua, povo e cultura e anamitas era infinitamente superior ao do seu confrade Borri, oferece­ -nos, na sua Relazione, uma versão diferente para a explicação do etnónimo que nos ocupa: [2] wPor agora nâo parece que seja mister mais do que uma breve explicação do nome da Cochinchina ou Cauchinchina, e seja a seguinte: no reino de Annam a cidade principal chamou-se Checei à qual os japoneses, que por causa do comércio ali acudiam, começaram [3] a chamar, com pronúncia errada, Coei. Estes transmitiram aos portugueses a pronúncia errada, sucedendo então que estes últimos, para o nâo confundirem com o de Cochim, reino das índias orientais, nâo longe de Goa, o aumentaram, criando este novo vocábulo Cochinchina, como se pretendessem dizer "Cochim perto da China”,para distingui-lo daquele outro nas proximidades de Goa.M Por outro lado, um Autor competente como poucos em matérias vietnamitas, já citado, apresenta uma explicação parcialmente coincidente com a primeira aqui citada, asseverando que Kochi é a designação japonesa e malaia para Vietname, termo ao qual os portuguesas teriam aditado China para evitar confusões com a cidade e reino hindustânicos de Cochim.22 Na nossa ignorância de idiomas da Ásia oriental, recorremos à ajuda do nosso distinto Amigo o Professor José Miguel Pinto dos Santos, certamente o maior japonólogo com que Portugal conta, que amavelmente nos informou que os nomes clássicos japoneses para Vietname sâo Etsunan ou Annamy e que no mesmo idioma e na mesma fase antiga kochi significa leste, e nâo ocidente. Para ratificar a sua informação esquadrinhou o clássico Genna kokaisho^ na tentativa de encontrar algum indício que desse plausibilidade à interpretação proposta por Borri e por Jacques, e nada achou nesse sentido, motivo pelo qual, e à feita de melhor exegese, propendemos a dar por certa a etimologia proposta por Rhodes. 20 Uma vez que os textos em italiano nâo se singularizam por quaisquer primores literários, pareceu-nos mais prático vertê-los a vernáculo lusitano e sugerir ao eventual leitor suspicaz da exação do nosso traslado o confronto com os originais, hoje de fâcil acesso. 21 Tendo em conta a escrita italiana, deverá ler-se qualquer coisa como Ke Che. 22 Jacques, “Le Portugal et la romanisation," 32. 23

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