9789728586621

Gianh servia como fronteira entre os territórios entre as duas regiões que compunham a nação anamita: Tbnquim a norte e Cochinchina a sul.23 53. SITUAÇÃO POLÍTICA, GUERRAS E GOVERNO: Sobre a organização e a situação política e militar da região onde irão desenvolver a sua açâo missionária os padres jesuítas europeus, será útil tomarmos conhecimento da perceção que os mesmos delas então tiveram e registaram nos seus escritos, sem esquecermos, porém, que se trata de testemunhos de estrangeiros, totalmente, ou em grandíssima parte, arredados dos centros de decisão locais e dos agentes do poder. Vejamos o que escreve Borri nos três seguintes textos: [85] "Afirmei no começo desta narração que a Cochinchina era uma província do grande reino de lonquim, usurpada pelo avô do Senhor que hoje reina, o qual, tendo recebido o encargo de governá-la, se rebelou contra o rei do citado Tonquim. Animou-o nâo pouco a dar este passo o ter-se visto em pouco tempo na posse de várias peças de artilharia, com motivo dos [86] naufrágios sofridos naqueles parcéis e recifes pelas naus e galeões, tanto dos portugueses como dos holandeses, que, recolhidos pelos nativos, podem hoje ver-se, só no paço do rei, mais de sessenta canhões, dos de maior calibteJ [224] “No que tange à governação deste reino [=Tonquim], faz-se por sucessão monárquica do modo seguinte: o poder supremo está nas mâos de um, a quem chamam Bua^ o qual, no entanto, de nada se ocupa, de tudo encarregando um seu Gvorito, a quem chamam Chiuua, com poderes tâo amplos e independentes, tanto na paz como na guerra, que há pouco tempo chegou a pontos de não reconhecer superior algum, permanecendo o Bua no seu palácio real, sequestrado de todos os assuntos, e satisfeito com mostras de respeito exterior, como se tratasse de uma pessoa sagrada, e com a autoridade para fazer as leis e confirmar os decretos e determinações. (...) [225] Este bua todavia é reconhecido sempre como Senhor que está acima do Chiuua de Tonquim, tanto por parte do rei da Cochinchina, como daquele outro Chiuua de que falámos na primeira parte, e que vive como fugitivo na província que confina com a 23 Ibid., 32. 24 Nhà vua, na língua moderna. No Dictionarium Annamiticum-Lusitanum-Latinum, ope Sacrae Congregationis de Propaganda Fide in lucem editum ab Alexandro de Rhodes (Romae: typis et sumptibus eiusdem Sac. Congreg., 1651) [^Dicionário anamita-português-latim, publicado por Alexandre de Rhodes, às custas da Santa Congregação para a Propagação da Fé, em Roma, na imprensa e às custas da mesma Santa Congregação,M 1651], col. 72, no verbete correspondente a bua, lê-se: rei, nunc Tunquini est solum titularis, quia Chúa omnia adsuum nutum disponit [wrei, hoje em Tonquim só tem o título, porque o Chúa de tudo dispõe de acordo com a sua vontade"]; o mesmo Dictionnarium, na col. 117, traduz assim, para português e latim, a palavra Chúa\ senhor, o que governa o reino. Gubernator totius regni, quem regem uocamus. [lSenhor, o que governa o reino. Governador do reino inteiro, a quem damos o nome de rei.”] 25

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