A ciência histórica moderna nâo discrepa maiormente do que aqui se leu,26 e aponta para o ano de 1614 a secessão da parte sul do território anamita, encabeçada pelo chefe da família Nguyen, que os nossos autores umas vezes chamam “rei”, outras aalevantadon ou “rebelado." 26 Veja-se a bem documentada síntese apresentada na p. 32 do citado artigo de Roland Jacques. 5 4 COMEÇOS DA MISSIONAÇÂO JESUÍTA £ PERSEGUIÇÕES: O padre Borri foi um dos quatro primeiros missionários jesuítas a pisarem e permanecerem durante algum tempo em terras da Cochinchina, razâo pela qual nâo parece despiciendo traduzir as palavras que, na sua Relatione, consagrou a esse período fundacional: [105] “Certos mercadores portugueses expuseram aos padres superiores da Companhia de Jesus, em Macau, que redundaria em glória de Deus missionar-se na Cochinchina, se para ali se dirigissem obreiros intrépidos e com zelo de ajudarem as almas, e um capitão rogou mui particularmente ao padre Provincial que não quisesse abandonar um reino de tal maneira capaz de ser instruído e industriado nas cousas da santa fè. Pareceu este pedido muito conforme com o espírito da nossa vocação, de tal sorte que sem grandes delongas escolheu para esta empresa o padre Francesco Buzomi, que em Macau [106] tinha ensinado sagrada teologia, de nacionalidade genovesa, embora se tivesse criado no reino de Nápoles. Dali partiu na companhia do padre Diogo Carvalho, português, o qual da Cochinchina deveria passar para o Japão, como fez. (...) [111] No ano seguinte o padre Provincial decidiu enviar um outro padre, mais jovem, acompanhado por um irmão japonês, para que pudesse aprender a língua e depois pregar sem necessidade de intérprete, e foi o escolhido o padre Francisco de Pina, que tinha sido aluno de teologia do padre Buzomi. (...) [118] "Tève-sc entretanto conhecimento do desterro dos padres (Pina e Buzomi) em todas as terras confinantes e a notícia chegou a Macau, com grande desgosto dos padres daquele colégio, que, movidos a compaixão dos seus irmãos, determinaram enviar-lhes algum socorro, aproveitando-se de uma embarcação portuguesa, que estava a ponto de zarpar para a Cochinchina, e os superiores julgaram que seria de maior proveito se, partindo dois padres, um fosse com título de capelão da nau, para regressar com a mesma, a fim de que os cochinchinas nâo tivessem motivos de queixa nem se assanhassem mais, e o outro, que deveria ficar lá, fosse disfarçado e escondido. E escolheu-se para capelão o padre Pedro Marques, português, e a mim coube também [119] a boa sorte de ser seu companheiro, assim aprazendo à santa obediência, porque, sendo certo que o nosso santo padre Geral me tinha destinado para a China, de mui bom grado e com muito afeto abracei o ensejo de dedicar-me a Deus em prol da Cochinchina" 27
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