9789728586621

6.1. JOÃO RODRIGUES GIRÀO: Conterrâneo do rei D. Manuel I, João Rodrigues, que adotou o apelido Girão para diferençar-se de um confrade cujos primeiros nomes coincidiam com os seus, nasceu na ribatejana vila de Alcochete, considerada no seu tempo como parte da província do Alentejo.27 A data do seu nascimento deve poder situar-se ao redor de 1558, uma vez que, ao entrar no noviciado jesuíta, em Coimbra, aos 16 de Dezembro de 1576,28 é-lhe atribuída a idade de 18 anos. Em 8 de Abril de 1584 embarcou em Lisboa para a índia, onde estudou um ano teologia, no goês colégio de S. Paulo. Em agosto de 1586 chegou ao Japão, país onde desenvolveu intensa atividade como missionário e foi durante muitos anos vice-provincial e donde teve de sair, por força do decreto de expulsão, promulgado por Tokugawa Hidetada, em 1614, contra os missionários estrangeiros. A parte restante da sua existência decorreu em Macau, cidade onde faleceu em 15 de Outubro de 1629, e onde empregou os derradeiros anos da sua vida à pregação, sobretudo destinada a auditórios japoneses, cuja língua conhecia na perfeição, e à redação de textos informativos e piedosos, a partir de material enviado pelos missionários e comunidades católicas esparzidos por terras nipónicas e até do Sudeste Asiático, como, além de várias ânuas do Japão e da Relação breve dos mártires de Japão do ano de 1619, é o caso das ânuas da Cochinchina de 1619 e de 1622, que aqui transcrevemos. 27 Adjudicando este padre ao Alentejo, não deixa de ser curioso assinalar que todos os Autores portugueses aqui mais ou menos extensamente publicados tinham a mesma procedência regional: António Francisco Cardim era de Viana do Alentejo, Gaspar Luís de Portei e Pedro Marques de Mourâo. 28 Seguimos a data consignada por António Franco, Imagem da virtude em o noviciado da Companhia de Jesus no Real Colégio de Jesus de Coimbra^ t. 2 (Coimbra: no Real Colégio das Artes da Companhia de Jesus, 1719), 621. A data é, também, a seguida pelo doutíssimo padre Schütte, Monumenta Histórica Japoniae I, 1285. O artigo consagrado a este Autor no Diccionario histórico de L Compania deJesus biográfico-temático, dir. Charles E. O' Neill y Joaquín Ma Domínguez (Madrid: Universidad Pontifícia Comillas, 2001), atribui ao mês de novembro o início do tirocínio religioso de Girão, além de lhe subtrair um ano na idade. Como acabámos de dizer, o padre Girão é autor de grande número de cartas ânuas do Japão, dirigidas, como era normal, ao Geral da Companhia, cujos arquivos as conservam, redigidas na língua materna, embora muitas delas tenham sido traduzidas para italiano e publicadas pouco depois de recebidas em Roma. Vimos exemplares impressos das ânuas correspondentes aos anos de 1604, 1605, 1606, 1609, 1610, 1611, 1624 e 1626, dando-se o caso de que a série dos dois primeiros anos e o biénio 1609-1609 se encontram reunidos em volumes únicos. De muitas destas cartas se fizeram traduções do italiano para outros idiomas europeus, mas verificou-se a situação, que, embora sendo estranha, nâo é singular entre nós, de que só em 1932 se fez a Ia edição integral, ao que cuidamos, de uma carta sua na 30

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