9789728586621

sua pátria, com transcrição do original português devida aos cuidados do historiador António Baião, que o publicou nos prelos da Imprensa da Universidade de Coimbra. Tamanho descaso é a todos os títulos lamentável, uma vez que, como o leitor verificará pela amostra que hoje se oferece, os seus escritos, além do valor intrínseco como fonte histórica, demonstram um elegante manejo da língua pátria e um vezo narrativo que logra manter sempre desperta a atenção do leitor. Ao iniciarmos a leitura da ânua da Cochinchina de 1619, verificamos que o padre Girâo escreve: “Na ânua passada se escreveu a V Paternidade o estado da missão do reino de Cochinchina”,ou seja, palavras que fazem legitimamente supor que se escrevera no ano anterior uma carta expressa e exclusivamente consagrada àquele território. No entanto, e perante a inexistência, aparente, de qualquer ânua dirigida ao Geral com origem na Cochinchina e destinada a relatar os factos ali ocorridos em anos anteriores, estamos persuadidos de que, com aquela expressão, o nosso padre quis referir-se aos dois capítulos que a ânua do colégio de Macau do ano de 1618, assinada, em Macau, pelo padre perugino Francesco Eugênio, em 21 de janeiro de 1619, consagra à Cochinchina e à Residência de Pulocambi, e que podem ver-se nas pp. 392-401 do volume Lettere annue dei Giappone, China, Goa et Ethiopia. Scritte al M・ R・ R Generale delia Compagnia di Giesü da padri deir istessa Compagnia ne gli anni 1615, 1616, 1617, 1618, 1619 volgarizati dal padre Lorenzo delle Pozze, Nápoles, per Lazaro Scorigia, 1621. No mesmo tomo, e entre as páginas 373 e 386, se ocupa o padre António de Sousa, futuro mártir do Japão, do acontecido na mesma Cochinchina no ano de 1617, ao redigir para o Geral em Roma a carta ânua do mesmo colégio macaense correspondente a este ano. 6 2 GASPAR LUÍS: Gaspar Luís era alentejano de Portei, vila onde nasceu em torno do ano de 1586. Foi em Évora que vestiu pela primeira vez a roupeta jesuíta, a 15 de maio de 1602, e onde também recebeu a ordenação de presbítero, após estudos de humanidades e de teologia, que compaginou com o ensino do latim em Braga, Lisboa e Évora. No ano de 1616 escreve composições literárias, em prosa e verso, destinadas a homenagear o recém-empossado bispo de Coimbra, D. Afonso Furtado de Mendoça, na visita que este realizou ao colégio jesuítico onde por então o padre Gaspar desempenhava as funções de magisterprimarius. Na cidade do Mondego permanece como docente de humanidades, para as quais era evidentemente bem dotado, até à sua partida para Goa, na nau Santo Amaro, que zarpou de Lisboa aos 16 de Abril de 1618. Na capital do estado português da índia permanece pelo menos até aos inícios de Fevereiro de 1620, uma vez que tem a data do Io desse mês a carta ânua que ele, por incumbência do padre Provincial, escreveu em Goa para o Geral, relativa à situação desta província, no ano anterior de 1619, e que podemos ler, traduzida para italiano pelo padre delle Pozze, entre as pp. 110-37 do volume de Lettere annue. 31

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