9789728586621

publicado em Nápoles em 1621 e que citamos pouco atrás, no corpo do texto do último parágrafo de 4.5.1 Entre as páginas 94 e 109 deste tomo lemos também, subscrita em Goa pelo mesmo Gaspar Luís e igualmente no Io de Fevereiro, só que agora do ano de 1619, a carta ânua goesa correspondente a 1618. Supomos que os originais destas cartas se encontrarão em latim, depositados no ARSIy e conjeturamos que o nosso Autor desembarcou em terras orientais aureolado com a reputação de bom latinista, se é que não demonstrou com celeridade tais pendores e dotes, para assim merecer ser investido do encargo de redator das ânuas de uma das mais importantes províncias extraeuropeias da sua congregação religiosa. Em Setembro de 1620 Gaspar Luís encontra-se em Macau e, logo no Io dia do mês seguinte, já o vemos assinar-se como autor, por comissão do padre Visitador, da carta ânua do Japão relativa a 1619, longo escrito que conhecemos pela tradução italiana inserta no livro Relatione di alcune cose cauata dalle lettere scritte ne gli anni 1619, 1620 e 1621 (..) Roma, per 1’ erede di Bartolomeo Zannetti, 1624, onde ocupa as páginas 3 a 94. No ano seguinte de 1621, o nosso Autor, a 20 de Novembro, assina em Macau o texto latino que adiante poderá ler-se, transcrito e traduzido, da ânua da Cochinchina relativa a 1620, que também se encontra, em versão parafrástica italiana, entre as páginas 97 e 107 do livro Lettere annue d9 Etiópia, Malabar, Brasil e Goa. Dair anno 1620fin al 1624、Roma, per Francesco Corbelleti, 1627, edição esta que apresenta data diversa da do manuscrito original latino de que nos servimos, o qual consigna 12 Cal. Decembr.^ ou seja, 20 de novembro, ao passo que, na versão italiana, se pode ler “li 17 di DecembreM, que, como se sabe, em latim seria decimo sexto calendas lanuarii. De 1624 até ao começo de 1638 Gaspar Luís permanece de forma ininterrupta na missão jesuítica da Cochinchina, de onde escreve para o seu Geral as cartas ânuas deste território correspondentes, pelo menos, aos anos de 1625〉 1626, 1627, 1628, 1629, 1630, 1631, 1634 e 1635> que hoje publicamos e, no caso da de 1625, também traduzimos. Das circunstâncias especiais em que missionou e dificuldades e tribulações por que passou podemos ter algum vislumbre através de algumas palavras que lhe consagrou o seu confrade e contemporâneo Alexandre de Rhodes, do mesmo passo que lhe tributa admirativa homenagem, e que respigámos e traduzimos do seu manuscrito Itinerarium: [95] aTambém muitas vezes, mesmo expulsos, a fim de nâo deixarem sem pastores a multidão dos cristãos, que já ascendia a muitos milhares, ocultavam-se nos montes e nas grutas da terra, com enorme perigo de vida, procedente nâo apenas de tigres, que sâo muitíssimo ferozes naquela região, mas igualmente de ladrões, de cuja rapacidade os nossos amiúde tiveram a experiência, pois o padre Gaspar Luís, português, experimentou a sua crueldade, quando se encontrava refugiado nas margens de certo rio, perto das estremas dos reinos da Cochinchina e Champá, juntamente com o padre António de Fontes e o irmão Belchior Ribeiro, também 32

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