9789728586621

\Anno trigésimo primo huius saeculi (. )quae omnia mala ethnici patris Francisci in Cocincinam aduentui attribuebant, ideo iterum exsulare cogitur, sed in itinere, dum Cambogiam repetit, christianos in prouinciis meridionalibus Cocincinae comorantes inuisit et colatur; attamen 7? Emmanuel Fernandius cum P Gaspare Ludouico adhuc remanent occulti ut christianos prouinciae Ciam curent.] Ora, o regresso do mesmo Buzomi do Camboja para a Cochinchina, graças a decreto do rei desta região, só se dá, como diz o mesmo Rhodes, no £ 100 v°, três anos depois: “Portanto, no ano 34 deste século o padre Francisco Buzomi volta de novo para a Cochinchina." [Igitur anno huius saeculi trigésimo quarto 7? Franciscus Busomius in Cocincinam denuo aduenit.] A veemência crítica de Gaspar Luís demonstra sem margem para dúvidas que as relações entre ambos os missionários nâo deveriam ser as melhores e talvez nos induza a caracterizar o padre alentejano como pessoa arrebatada e propensa a ser tomada do “zelo indiscreto" a que o francês Rhodes atribui parte da origem da perseguição de 1625, conquanto, é bem certo, e outra coisa nâo seria de esperar de um homem da sua talha intelectual e moral, nâo aponte nomes. Por outro lado, os violentos conflitos que mais tarde o opuseram ao governador do bispado de Macau parecem dar visos de verdade a esta nossa suposição. 72. APÊNDICE 2°: O manuscrito que transcrevemos encontra-se no ARSI em dois exemplares, cada um de dois fólios, com texto totalmente idêntico, paginação seguida e letra, miúda e elegante, saída do mesmo punho. De acordo com o título, trata-se de uma 'relação da perseguição que teve a cristandade de Cochinchina no ano de 1625 e 1626", ou relatório circunstanciado de vários sucessos da vida missionária durante a perseguição padecida sobretudo na parte final do ano de 1625. Encontra-se escrito num português são e escorreito, e por muitas vezes até saborosamente castiço, mas que, uma vez ou outra, incide em certas singularidades que fizeram despertar em nós a suspeita de o seu autor nâo ser português, e muito menos o Gaspar Luís a quem propendíamos, a priori^ a atribuir-lhe a autoria. Com efeito, expressões como: Katé que lhe proibimos que a não pusesse” ou Kdel-rei proibir que os cristãos não trouxessemM, ou a repetida grafia do nome Paulo como Paolo denunciam uma origem gala ou italiana. O acaso veio em nosso socorro, e, ao entregarmo-nos quase simultaneamente à transcrição deste relato e à leitura do manuscrito original do Itinerarium do padre Rhodes, verificamos, sem margem para dúvidas, que a mâo que escreveu este texto em latim, ainda em borrão e inçado de rasuras e correções, foi a mesma que escreveu em português a Relação、embora em idiomas diferentes e a uma distância temporal de pelo menos cinco lustros. Se qualquer dúvida subsistisse, o cotejo entre a narração deste episódio persecutório, que aparece no £ 99 do escrito latino, e o seu tratamento, ainda que um 41

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