pouco mais extenso, na Relação portuguesa, desvanece quaisquer dúvidas, tantas são as coincidências de toda a espécie, que inclusivamente chegam a miúdas identidades no vocabulário, como é o caso do substantivo idiotas. Sabemos também que Alexandre de Rhodes abandonou em 1626 a Cochinchina, para onde viera um ano e meio antes na companhia do Visitador Gabriel de Matos, tendo-se então dirigido para Macau, deslocações que este insigne poliglota narra nas linhas seguintes: [99 v°] “No mesmo ano [de 1626], chegando uma mensagem do reino de 7on- quim, para o qual pouco antes o padre Giuliano Baldinotti34 navegara desde Macau, que garantia uma enorme esperança de copiosa messe para o futuro, se algum dos nossos para ali se deslocasse e tivesse conhecimento da língua anamita. Uma vez que era menos necessário na missão da Cochinchina, foi-me confiado aquele encargo, porque tinha aprendido o bastante daquele idioma durante um período de ano e meio. Para mais expeditamente se pôr em execução este desígnio, fui reenviado para Macau, de onde no ano seguinte se iniciou com bons auspícios aquela missão Tòn- quinesa, tal como mais dilatadamente se expõe na Relação de Tbnquim publicada em anos anteriores."35 [99 v°] \Eodem anno adueniente nuntio e Tunchini regno, in quo/6 p lulianus Baldinotius Macao paulo ante nauigarat, qui maximam spem copiosae messis in eofuturae attestabatur si aliquis e nostris illuc profectusfuisset, qui linguam Annamiticam nosset. Mihi, ut pote Cocincinicae missionis minus necessário, illa expeditio demandata est, cum illud idioma per sesquiannum satis didicissem. Quod ut commodiusfieret, Macaum fu i remissus, unde anno sequenti missio illa Tunchinensis estfeliciter coepta ut in relatione Tunchinensi superioribus annis editafusius narratur^] 34 Jesuíta, natural de Pistoia, enviado para a índia em 1622, donde pouco depois partiu para Macau. A 2 de Fevereiro de 1626 foi enviado para Tonquim, a fim de se inteirar da5 condições para a missionaçáo que ali se ofereciam. Regressou a Macau em setembro do mesmo ano, cidade onde morreu a 29 de agosto de 1631. Vd. Schütte, Monumenta Histórica Japoniae 7, 1136. 35 Em 1650, o que faz supor que estas linhas foram escritas possivelmente em 1652. 36 quo no manuscrito. 8. Esta edição Na transcrição dos textos latinos observámos as normas filológicas hoje correntes entre os especialistas. Na transcrição dos textos em português atualizámos a pontuação e ortografia, respeitando as especificidades fonéticas, poucas de resto, pelas quais o português do século XVII se diferençava do nosso idioma atual. Em relação a alguns vocábulos ou construções hoje menos comuns, por vezes procurámos esclarecê-los mediante notas sucintas e claras, no sentido de facilitar a leitura dos nâo especialistas. Tendo em consideração a finalidade sobretudo documental desta coletânea, pareceu-nos que as notas propriamente históricas nâo deveriam 42
RkJQdWJsaXNoZXIy MTQ1NDU2Ng==